Polícia

Morte de mulher espancada em terreno baldio segue sem respostas em Porto Alegre; Estado já registra 41 feminicídios

Polícia trata morte como feminicídio não afetivo e aguarda laudos periciais para finalizar o caso; suspeito é procurado

A morte de uma mulher de 26 anos é cercada de lacunas e tratada como um caso que ainda demanda respostas definitivas pela Polícia Civil em Porto Alegre. Apesar de não ter tido grande repercussão na época dos fatos, o caso é investigado desde o final de abril, quando a vítima morreu.

A jovem, que vivia em situação de rua, foi encontrada inconsciente em um terreno baldio na rua Ernesto Alves, no bairro Floresta, no dia 18 de abril. Socorrida em estado grave, ela foi encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde permaneceu internada por quase duas semanas. Ela não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia 30 de abril.

Apesar de detalhes sobre o que, de fato, ocorreu naquela noite, ainda serem mantidos em sigilo pela Polícia Civil, a investigação aponta que a vítima pode ter sido agredida no local onde foi encontrada. Na época do caso, um homem, também em situação de rua, foi apontado como possível autor. Um dos elementos centrais para a resolução do caso é a constatação da presença de sêmen no corpo da vítima.

Diante do que já foi apurado, a Polícia passou a tratar o caso como feminicídio, conforme a delegada Thaís Dias Dequech, da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM). “Estamos tratando como feminicídio não afetivo, quando não se insere no contexto de violência familiar, mas há indícios de menosprezo à condição de mulher”, afirmou a delegada.

Segundo ela, o esclarecimento do caso depende da conclusão de exames periciais ainda em andamento. Até o momento, não há confirmação sobre a motivação da agressão nem sobre a dinâmica exata dos fatos.

Estado já soma mais da metade dos feminicídios registrados no ano passado

Apesar de ainda haver inquérito policial em andamento, a confirmação de que o caso é investigado como crime relacionado ao gênero eleva o número de mortes de mulheres nesta condição no Estado. De janeiro até meados de junho, o Rio Grande do Sul soma pelo menos 41 feminicídios.

Além do caso da mulher em situação de rua, outros crimes já registrados também têm inquéritos em aberto e podem aumentar o número de ocorrências em 2026. Entre eles está a morte de uma mulher de 33 anos, em Caxias do Sul, no fim de abril. Ela e o marido, um agente da Guarda Municipal, foram encontrados com ferimentos causados por arma de fogo e chegaram a ser encaminhados para atendimento médico, mas não resistiram.

Além disso, a morte de uma moradora de Rio Grande, no Sul do Estado, também permanece sem conclusão. A jovem de 25 anos foi encontrada com sinais de estrangulamento e sufocamento no dia 12 de junho, mas, segundo a delegada Alexandra Pérez, responsável pela investigação, a ausência de um vínculo afetivo conhecido dificulta a definição imediata da motivação. “Estamos apurando. Como ela não era casada, tampouco tinha companheiro, isso dificulta concluir de imediato se foi feminicídio ou homicídio por outros motivos”, afirmou.

Com as ocorrências até aqui registradas, o Estado já soma mais da metade dos crimes contabilizados em todo o ano de 2025, quando 80 mulheres foram assassinadas em decorrência do gênero. Porto Alegre lidera os indicadores com 6 casos. Sapucaia do Sul tem três, enquanto Cachoeirinha, Novo Hamburgo e Parobé registram dois.

Além disso, os municípios de Alecrim, Bagé, Barão do Cotegipe, Cacequi, Camaquã, Canguçú, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Esteio, Guaíba, Ijuí, Maçambará, Montenegro, Mostardas, Muitos Capões, Nova Prata, Novo Barreiro, Pejuçara, Quaraí, Santa Clara do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Rosa, Santo Ângelo, São Francisco de Paula, Tramandaí e Viamão somam um caso cada.

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