Polícia

O que a Polícia Civil tenta desvendar um mês após desaparecimento de família em Cachoeirinha

Silvana Germann de Aguiar e os pais, Isail e Dalmira, foram vistos pela última vez entre os dias 24 e 25 de janeiro

Policial Militar chega para prestar depoimento na DP de Cachoeirinha na tarde de 20/02/2026
Policial Militar chega para prestar depoimento na DP de Cachoeirinha na tarde de 20/02/2026 Foto : Rodrigo Thiel / Especial / CP

Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail e Dalmira Aguiar, respectivamente 69 e 70 anos, foram vistos pela última vez entre os dias 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. Um mês após o sumiço, a Polícia Civil ainda não localizou as vítimas, mas trata o caso como feminicídio seguido de duplo homicídio. O suspeito é o ex-marido de Silvana e policial militar, Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, preso temporariamente, que nega qualquer envolvimento nos fatos.

Um texto em nome de Silvana foi publicado nas redes sociais há 30 dias, relatando suposto acidente de trânsito que ela teria sofrido enquanto voltava de Gramado, na Serra gaúcha. Segundo a 2ª DP de Cachoeirinha, tal colisão jamais aconteceu.

Na mesma data, 24 de janeiro, por volta das 20h30min, câmeras de segurança registraram a entrada de um carro vermelho na casa de Silvana, com a saída do veículo após oito minutos. Quase uma hora depois, o automóvel branco de Silvana chega no imóvel. O mesmo carro vermelho é aparece novamente no local, saindo após cerca de dez minutos, próximo às 23h40min.

Em 30 de agosto, o ex-companheiro de Silvana esteve na casa dela. Em 31 de agosto, uma conta online, vinculada ao Google, que seria dela, teria aparecido na rede da casa onde mora o PM, no bairro Vila Anair. Na residência, o Wi-fi está no nome da atual esposa do suspeito, com quem ele é casado desde 2022 e que não é investigada, sendo tratada como testemunha.

O celular de Silvana foi encontrado sob uma pedra na rua Palmeira das Missões, próximo ao numeral 413, em 7 de fevereiro. Uma denúncia anônima teria indicado onde estava o dispositivo, conforme a 2ª DP de Cachoeirinha. O suspeito está preso preventivamente no Batalhão de Operações Especiais (Boe) da Brigada Militar, em Porto Alegre, desde o dia 10 de fevereiro.

Profissionais da área de tecnologia evitam opinar sobre a validade de tal evidência. Isso porque, na visão deles, o nome de Silvana poderia estar vinculado a outro equipamento, como celular, televisão ou videogames do seu filho de 9 anos, fruto do antigo relacionamento com o PM. A dupla se divorciou pouco após o nascimento da criança. Depois do sumiço da mãe, o menino chegou a ficar aos cuidados do pai, tendo sua guarda transferida provisoriamente para a avó paterna após o homem ter sido detido.

A reportagem contatou o advogado Jeverson Barcellos, à frente da defesa do PM, mas ele não quis comentar a investigação policial. O profissional afirmou, entretanto, que permanece sem ter acesso aos autos do processo, reforçando que não se manifestará antes de ler o inquérito. Este também teria sido o motivo do silêncio de seu cliente durante o depoimento.

Em 19 de fevereiro, houve diligências em busca das vítimas na área rural de Gravataí, em uma propriedade da família do suspeito. Também foi averiguada uma denúncia em Viamão.

“Temos feito buscas com frequência. A gente recebe muitas denúncias, mas claro que não é possível ir atrás de tudo e nem ficar deslocando cães farejadores. Averiguamos os relatos que possam ter materialidade”, explicou o delegado titular da 2ª DP de Cachoeirinha, Ernesto Prestes, em conversa com a reportagem do Correio do Povo no dia 20 de fevereiro, na porta da delegacia.

O delegado também avaliou que a disputa do casal pelos cuidados do filho pode ter motivado o crime. “Sabemos que havia uma questão de disputa dos envolvidos pelo menino. Levamos isso em consideração. Ainda não avaliamos outras possíveis motivações como, por exemplo, supostas questões financeiras”, disse Ernesto Prestes, na mesma ocasião.

Vestígios de sangue foram encontrados na casa de Silvana Aguiar, mas os laudos do Instituto-Geral de Perícia (IGP) têm sido inconclusivos. A instituição aponta, porém, que o material genético é humano, pertencendo a duas pessoas distintas. Não foram identificados sinais de luta corporal na perícia.

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