Polícia

Operação Fake Broker prende quatro suspeitos de fraude imobiliária em Novo Hamburgo

Grupo utilizava imóveis que pertenciam a pessoas mortas para aplicar golpes em compradores de boa-fé

Operação foi deflagrada pela 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo
Operação foi deflagrada pela 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo Foto : Polícia Civil / CP

Quatro suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes imobiliárias foram presos pela Polícia Civil durante a Operação Fake Broker, deflagrada pela 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo nesta sexta-feira. Segundo a investigação, o grupo utilizava imóveis que pertenciam a pessoas já falecidas para aplicar golpes em compradores de boa-fé. O prejuízo identificado até o momento supera R$ 2 milhões.

Conforme a investigação, o principal articulador do esquema, um homem de 39 anos e morador de Novo Hamburgo, apresentava-se como intermediador de negócios imobiliários. Em algumas negociações, ele teria afirmado possuir informações privilegiadas, supostamente obtidas de juízes e oficiais de Justiça, para dar aparência de credibilidade às oportunidades oferecidas.

As vítimas eram levadas a visitar os imóveis e, acreditando que se tratavam de negociações regulares, assinavam contratos de promessa de compra e venda. Em alguns casos, entregavam dinheiro, veículos e outros bens como parte do pagamento.

A investigação aponta que a organização tinha divisão de tarefas. Alguns integrantes seriam responsáveis por localizar e agenciar imóveis pertencentes a pessoas falecidas. Outros providenciavam a limpeza e organização dos locais, trocavam chaves, cadeados e fechaduras e alteravam contas de energia elétrica para criar a aparência de que os imóveis estavam disponíveis para negociação.

Também foram identificados indícios de falsificação de documentos e de utilização de pessoas que se passavam pelos verdadeiros proprietários ou vendedores. Uma carteira falsificada de oficial de Justiça foi apreendida durante a operação.

Entre os casos investigados está a negociação de um terreno na rua Rincão, em Novo Hamburgo. Segundo a Polícia, um dos líderes do grupo, acompanhado da esposa, teria firmado dois contratos de promessa de compra e venda referentes ao mesmo imóvel, pertencente a uma pessoa falecida, e negociado o terreno com compradores diferentes. O prejuízo nesses dois negócios é estimado em R$ 420 mil.

Em outro caso, uma empresária de Novo Hamburgo teria sofrido prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 milhão.

A investigação identificou ainda que veículos recebidos como parte das negociações eram posteriormente registrados em nome de terceiros. Conforme a apuração, o grupo pagaria apenas as primeiras parcelas dos financiamentos e depois deixaria de cumprir as obrigações, permanecendo com os veículos e os valores envolvidos.

Os imóveis utilizados no esquema estão localizados em Novo Hamburgo e em outras cidades gaúchas. A Polícia Civil continua as diligências para identificar todos os envolvidos, esclarecer a extensão da atuação do grupo, localizar outros possíveis imóveis e veículos utilizados nas fraudes e identificar eventuais novas vítimas.

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