Polícia

Operação Mulher Segura prendeu 241 suspeitos de violência doméstica em um mês no Rio Grande do Sul

Ação integrada entre Polícia Civil e Brigada Militar atendeu mais de 2,4 mil vítimas durante o primeiro mês da operação, que segue até dezembro

Números foram apresentados pelas forças forças de segurança em coletiva de imprensa
Números foram apresentados pelas forças forças de segurança em coletiva de imprensa Foto : Polícia Civil / CP

A Operação Mulher Segura prendeu 241 suspeitos de violência doméstica durante o mês de junho no Rio Grande do Sul. O balanço foi apresentado na manhã desta quinta-feira pela Polícia Civil e Brigada Militar, que atuam de forma integrada na iniciativa, voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher e à prevenção de feminicídios. A operação, iniciada em 1º de junho, seguirá até o último dia do ano.

Conforme os dados divulgados, foram realizadas 894 abrangências operacionais, 2.775 diligências, 148 prisões em flagrante e o cumprimento de 93 mandados de prisão preventiva ou temporária. No período, 2.403 vítimas receberam atendimento e foram promovidas 3.442 ações educativas em escolas, empresas e outros espaços.

Durante a apresentação, a diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), delegada Waleska de Viana Alvarenga, ressaltou que a operação reforça o trabalho permanente desenvolvido pelas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams). "Nossa divisão faz um trabalho árduo e ininterrupto. Todos os dias pensamos em como evitar feminicídios e diminuir esses índices", afirmou.

Segundo a delegada, a Operação Mulher Segura reúne as 25 Deams do Estado e conta com recursos da União, destinados ao pagamento de diárias para reforço das equipes, além de investimentos do governo estadual voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Waleska destacou que o número de prisões demonstra o fortalecimento da repressão aos agressores, mas reforçou que o foco também permanece na prevenção. "Os números mostram que atuamos nos dois eixos. No preventivo, com conscientização e palestras em empresas, escolas e redes sociais, mas também temos prendido mais. Somente em Porto Alegre foram 34 prisões neste mês", disse.

Ela ressaltou ainda que, diferentemente de outras operações, os mandados relacionados à violência doméstica não podem aguardar datas específicas para cumprimento. "No âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher, não podemos represar mandados para cumprir em um único dia. A vida daquela mulher está em risco. Todos os dias os delegados cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão", afirmou.

A delegada também chamou atenção para um dado observado pela Polícia Civil, de que muitas vítimas de feminicídio nunca haviam procurado ajuda antes do crime. "Vimos que a maioria das mulheres que têm morrido nunca acessou a rede de proteção, nunca registrou ocorrência. Então estamos agindo para alcançar essa mulher antes que a violência evolua", destacou.

O diretor do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), delegado Juliano Brasil Ferreira, afirmou que o trabalho conjunto entre as instituições tem sido fundamental para ampliar a efetividade das ações. "Essa integração demonstra que estamos unidos nesse combate à violência doméstica. Foram centenas de ações durante os 30 dias de junho, cumprindo mandados e medidas protetivas, sempre com foco em combater a violência doméstica e, de forma indireta, reduzir o número de feminicídios", afirmou.

A subchefe da Polícia Civil, delegada Patrícia Tolotti Rodrigues, também destacou que a operação ocorre em âmbito estadual e reforça a atuação integrada entre Polícia Civil e Brigada Militar no enfrentamento à violência contra a mulher.

Pela Brigada Militar, a capitã Brenda Alves informou que a operação mobilizou efetivos de 23 comandos regionais, com reforço às Patrulhas Maria da Penha nos municípios a partir de uma distribuição baseada em indicadores de violência.

Segundo ela, mais de 400 policiais militares e mais de 200 viaturas participaram das ações ao longo de junho, além da realização de mais de 200 atividades educativas.

Já a capitã Betina Gausmann Oliveira explicou que a corporação priorizou o envio de policiais capacitados no atendimento às vítimas para reforçar as patrulhas do interior do Estado. "Observamos um aumento superior a 40% nos atendimentos realizados nos municípios que receberam esse reforço", afirmou.

Os dados da Brigada Militar já haviam sido divulgados na terça-feira. Conforme o levantamento, as equipes fiscalizaram 630 Medidas Protetivas de Urgência (MPUs), confeccionaram 876 boletins de atendimento, registraram 13 comunicações de ocorrência policial e prenderam um suspeito em flagrante por descumprimento de medida protetiva. Também foram promovidas campanhas de conscientização e palestras voltadas à prevenção da violência contra a mulher.

A Operação Mulher Segura segue até 31 de dezembro com ações de repressão qualificada, fiscalização de medidas protetivas e fortalecimento da rede de proteção às mulheres em todas as regiões do Rio Grande do Sul.

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