Sufocar um confronto entre grupos criminosos é a missão da Brigada Militar em Capão da Canoa. Ali, o aumento populacional na alta temporada gera maior demanda de usuários por drogas, o que turbina os lucros do tráfico. A escalada da violência tem a mesma proporção da disputa de facções por mercado consumidor.
O município teve cinco homicídios neste mês. Destes, três foram registrados no distrito de Capão Novo, onde também houve casas incendiadas. De acordo com a BM, todas as ocorrências resultam da briga entre duas quadrilhas por pontos de tráfico.
Um dos bandos é oriundo do bairro Bom Jesus, na zona Leste de Porto Alegre. Outro, tem base no Vale do Sinos. As duas gangues criaram ramificações no litoral Norte, onde agora travam guerra por controle da venda ilegal de narcóticos.
Os ataques são orquestrados no interior do sistema penitenciário gaúcho. As lideranças estão recolhidas no Complexo Prisional de Charqueadas e na Penitenciária Modulada Estadual de Osório.
A estratégia para reduzir os assassinatos consiste em uma operação de caráter permanente, em vigor desde a semana passada. Não há prazo de término.
Quatro instituições da Segurança Pública estabeleceram as bases do plano, em reunião na véspera do Natal, na sede do 2º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (2°BPAT), em Capão da Canoa. Participaram, além da BM, representantes da Polícia Civil, Polícia Penal e do Ministério Público.
O comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Litoral (CRPO Litoral), tenente-coronel Artur Marques de Barcellos, explica que o primeiro passo foi analisar as possíveis causas dos crimes. Após, foi estabelecida uma série de ações conjuntas de cada instituição, com medidas integradas.
Ficou definida a intensificação do policiamento em áreas tidas como críticas, a exemplo de Capão Novo, além do reforço das atividades do Setor de Inteligência da BM. O resultado disso pode ser observado nesse domingo, quando cinco criminosos foram presos horas após terem ateado fogo em casas de rivais. Também serão reforçados o cumprimento de ordens de busca e apreensão, as intervenções no sistema prisional e a transferências de presos para unidades isoladas.
"Quase não registramos crimes violentos em Capão da Canoa no primeiro semestre. Agora, por causa das disputas do tráfico, tivemos um aumento de casos. Estabelecemos uma ação conjunta que reforça o compromisso das forças de segurança em proteger a comunidade local e os veranistas. Além de efetuar prisões, também intensificamos o patrulhamento ostensivo e as abordagens, tudo com foco em identificar e prender os envolvidos em atividades criminosas”, enfatizou o tenente-coronel Artur Marques de Barcellos.