Polícia

Perícia aponta falhas na construção de laje após desabamento matar criança em Porto Alegre

Acidente provocou a morte de Valentina Langlois Scalon, de sete anos

Equipe da Perícia Criminal examina local do desabamento de uma laje que levou uma criança a óbito e feriu outras duas no bairro Bom Jesus
Equipe da Perícia Criminal examina local do desabamento de uma laje que levou uma criança a óbito e feriu outras duas no bairro Bom Jesus Foto : Camila Cunha / CP Memória

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) constatou ao menos quatro falhas na construção da laje que desabou no bairro Bom Jesus, na zona Leste de Porto Alegre, provocando a morte de Valentina Langlois Scalon, sete anos, em 7 de janeiro. Na data, a vítima brincava com dois primos, de sete e nove anos, em uma piscina, quando foi atingida por parte da estrutura.

De acordo com o laudo, o desabamento resultou da concorrência dos seguintes vícios construtivos: exposição das armaduras de aço à ação direta do tempo; redução da seção das armaduras devido à corrosão e comprometimento da capacidade da laje; existência de infiltração e diminuição da vida útil do elemento estrutural, e adoção de sistemas construtivos em desacordo com as boas práticas da Engenharia Civil.

O inquérito deve ser finalizado até o final do mês. Segundo a delegada Luciana Smith, à frente da investigação, não haverá indiciamentos.

Na visão do diretor do Sindicato dos Engenheiros do RS (Senge-RS), Fabricio Longhi Bolina, os materiais utilizados na construção provavelmente eram de baixa qualidade. “Possivelmente toda a obra não foi projetada, e começaram a colocar uma carga em cima daquela casa que não foi projetada para isto. Estas casas, podemos dizer, são de um público de menor poder aquisitivo, e estas pessoas acabam por vezes escolher aquilo que é normalmente mais barato. Isto passa pela decisão de não contratar um engenheiro ou arquiteto para fazer o planejamento da residência”, salientou ele, reconhecendo que o assunto é “delicado”.

“Você pode colocar o que quiser em cima da laje, porém ela precisa ser projetada para aguentar este carregamento. Não há problema ter piscina em laje; o problema é não projetar a laje para colocar esta piscina. Uma casa tem determinadas características de uso, enquanto outras edificações têm suas especificidades”, salientou Bolina. “As normas regulamentadoras acabam estabelecendo padrões e requisitos mínimos do atendimento nas mais variadas circunstâncias no qual uma obra pode ser submetida”, avaliou o presidente do Senge.

Veja Também