Um esquema de tráfico internacional de drogas coordenado por uma família na fronteira Oeste foi alvo da Operação Talha Dupla, deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Federal. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em Uruguaiana, Pelotas e na capital de Santa Catarina, Florianópolis. Houve bloqueio de R$ 24,5 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados.
Em Uruguaiana, foram apreendidos um revólver, duas pistolas e uma espingarda, o que resultou na prisão em flagrante de um homem por posse ilegal de arma de fogo. Ainda no município, houve o sequestro de um imóvel e outro, foi sequestrado em SC. A ação também resultou no confisco de cinco automóveis.
A ofensiva decorre de uma apreensão feita em novembro de 2022, quando os agentes localizaram R$ 1 milhão em Jaguarão, no Sul gaúcho. O dinheiro estava dividido em duas malas que eram transportadas por uma mulher de 22 anos, natural de Pelotas. Chamou atenção o fato dela não ter chaves para abrir as bagagens, o que resultou na condução dela à sede da PF no município.
Foi constatado que a jovem tinha função de ser ‘mula’ do tráfico, como são chamadas as pessoas pagas para transportar drogas ou valores para o crime organizado. A investigação ainda apontou que o montante tinha origem em Uruguaiana.
Entenda o esquema de tráfico internacional
De acordo com a PF, Uruguaiana é base de uma família responsável por comandar uma rede internacional de tráfico e distribuição de drogas. Participam do esquema mãe, filho e sobrinho, liderados pelo patriarca do grupo, além de outros comparsas.
Esta é a segunda vez que a família foi alvo da PF. Antes disso, em 2015, houve a Operação Plano Alto, que apreendeu quase 900 quilos de cocaína em duas ações contra o grupo. As drogas eram trazidas da Bolívia em aviões que pousavam na Argentina.
O segundo passo do esquema era internalizar os narcóticos no Rio Grande do Sul e descarregá-los em uma propriedade rural no interior de Alegrete. Ali tinha início a terceira etapa, que consistia no transporte dos ilícitos para São Paulo, através de caminhões fretados. A família seria responsável por organizar toda a logística, incluindo a contratação de pilotos de avião e da frota de carretas.
À época, seis homens foram presos, incluindo pai, filho e sobrinho. A mãe só foi detida em agosto de 2019, em Uruguaiana, após figurar na lista de procurados da Interpol.
Os parentes chegaram a ser condenados a penas de três a 10 anos de prisão, mas todos eles receberam progressão de pena para o regime semiaberto. Ocorre que pai e filho fugiram após o benefício. Atualmente, ambos estão foragidos. Não é descartado que a dupla se esconda em países vizinhos, como Paraguai, Uruguai ou Argentina.
Nesta manhã, um mandado de busca e apreensão foi efetuado na casa onde mora a matriarca da família. O sobrinho não foi alvo da Operação Talha Dupla.
Conforme as forças de segurança de Uruguaiana, a família teria vínculos com uma facção com base no Vale do Sinos, mas que também criou ramificações na fronteira Oeste. O pai, no entanto, seria considerado integrante de alto escalão na hierarquia do grupo criminoso, respondendo ainda para a organização paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).