A segunda fase da Operação Linha Direta foi deflagrada nesta quarta-feira, desmontando uma “central de golpes” com base em Porto Alegre. Seis pessoas foram detidas em flagrante. Outros 17 suspeitos já tinham sido presos no final do ano passado, na primeira etapa da ofensiva, totalizando 23 presos, além da apreensão de um adolescente.
Os trabalhos decorrem da descoberta do esquema em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, em dezembro. De acordo com a da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV/DEIC), à frente da investigação, os criminosos montaram outros núcleos do golpe, mesmo após a primeira ofensiva.
A titular da DRV, Jeiselaure de Souza, o grupo tinha pontos estratégicos em Porto Alegre. Em um deles, no bairro Jardim Itu, funcionava uma central telefônica clandestina, nos moldes de um “call center” ilegal, destinada exclusivamente à golpes eletrônicos. Há vítimas em diversos estados do país.
“As diligências flagraram quatro mulheres aplicando golpes. Foram apreendidos 44 aparelhos celulares, centenas de chips de telefonia móvel de diversas operadoras, um notebook para distribuição de listas de vítimas e envio de comandos, além de cadernos e folhas com anotações minuciosas, contendo nomes, telefones, metas financeiras e roteiros padronizados de engano. Isso revela o grau elevado de organização, controle e profissionalização da atividade criminosa”, afirmou a delegada Jeiselaure de Souza.
Ainda na Capital, em um segundo endereço, no bairro Sarandi, os policiais prenderam em flagrante o casal apontado como líder do esquema. Ali, também foram apreendidos diversos aparelhos celulares e chips telefônicos, com evidências da centralização de decisões relacionadas aos golpes.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos se passavam por funcionários de instituições bancárias, induzindo as vítimas a acreditar que suas contas tinham sido invadidas. A partir dessa fraude, as vítimas eram convencidas a fazer transferências e agendar pagamentos a contas de terceiros, vinculadas ao grupo criminoso.
"A quadrilha atuava deliberadamente sobre um público vulnerável, formado especialmente por idosos ou pessoas com pouco letramento digital. Eles causaram prejuízo de milhões de reais, com vítimas espalhadas em todo o país”, disse Jeiselaure de Souza.
Também atuaram na ação sete peritos criminais do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que realizaram exames técnicos no local para garantir a preservação e análise das provas digitais e materiais. As análises preliminares identificaram softwares de acesso remoto, arquivos com dados sensíveis de vítimas e registros que comprovam o funcionamento da central de golpes.