Um grupo de manipuladores de drone financiado com recursos da facção Os Manos foi alvo da Operação Ícaro, nesta terça-feira em Canoas, Eldorado do Sul e Novo Hamburgo. Segundo a Polícia Civil, o bando utilizava a tecnologia para transportar armas e drogas em presídios, sendo cada entrega remunerada com luucros do tráfico. Quatro pessoas foram presas.
A ofensiva decorreu de investigações da 3ª DP de Canoas, com início em 26 de outubro de 2024, quando um droneiro foi flagrado em um matagal próximo ao Complexo Prisional de Canoas. Ele chegou a fugir, mas deixou cair o recibo de compra do equipamento, sendo detido pouco tempo depois.
Em depoimento, segundo a 3ª DP de Canoas, o sujeito disse que recebia R$ 400 por cada incursão de drone. Também apontou outros operadores que integravam o esquema, confessando ter feito entregas em presídios de Charqueadas, Sapucaia do Sul, Montenegro e Bento Gonçalves.
De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, à frente da 3ª DP de Canoas, cada drone tem a capacidade de trasportar quase um quilo de narcóticos. Mais de 40 voos do grupo foram interceptados nas penitenciárias do município.
“Se dezenas foram parados, quantos milhares de quilos de entorpecentes e armas chegaram com sucesso?”, questionou Luciane Bertoletti. “Esse esquema está diretamente ligado ao aumento da violência no sistema prisional”, avaliou a delegada.
Assassinato de Nego Jackson
Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, 41 anos, foi morto a tiros na triagem da Penitenciária Estadual de Canoas 3 (Pecan), em 27 de novembro de 2024, um mês após o flagrante do droneiro no complexo penitenciário. A execução ocorreu com uma pistola de uso restrito, calibre 9 milímetros, entregue via drone a outros dois apenados.
O voo foi registrado por câmeras na Pecan 3, onde Jackson e seus algozes estavam recolhidos, na madrugada que antecedeu os fatos. As imagens mostram que o equipamento sobrevoa a lateral da unidade, às 3h06min.
O assassinato ocorreu enquanto agentes penais contavam os presos antes do jantar, pelas 18h, vigiando do segundo andar da unidade. Através de um piso gradeado, de cima para baixo, os servidores abriam as portas uma por vez, com cada detendo saindo de sua cela e, após conferência, recolhendo-se novamente.
Nego Jackson estava na cela de número 8, em frente ao recinto de número 7, onde ficavam dois presos de uma facção rival. Durante a conferência, um deles teria ido até a porta da cela de Jackson, supostamente para apaziguar divergências. Enquanto conversavam através da portinhola, outro apareceu de surpresa e inseriu o cano da arma na abertura, desferindo 12 tiros em Nego Jackson.
A emboscada teve motivação no contexto das facções. Nego Jackson era apontado como chefe da gangue Os Tauras, oriunda da Vila Jardim, em Porto Alegre, sendo parte da coligação Anti-Bala. Seria também um dos fundadores da organização criminosa Família do Sul, unindo-se a integrantes da quadrilha V7, da zona Sul, além de outros traficantes da Capital. De acordo com a Polícia Civil, foi morto por representantes da facção rival, Bala na Cara.
- Homem morre vítima de linchamento em Alvorada
- Dois criminosos morrem após confronto com Batalhão de Choque em Taquara
- Ataque a tiros deixa dois mortos e uma mulher ferida em Erechim