A Polícia Civil investiga um possível esquema envolvendo o fechamento de uma empresaresponsável pela administração de dezenas de condomínios em Porto Alegre. O caso é apurado pela 17ª Delegacia de Polícia, que já contabiliza mais de 20 ocorrências registradas por síndicos e representantes de edifícios, que relatam prejuízos e dificuldades para acessar recursos financeiros sob gestão da Imobiliária VenezaUno, que encerrou as atividades recentemente.
De acordo com o delegado Raul Vier, o inquérito foi instaurado nesta semana, inicialmente por apropriação indébita. “Temos mais de 20 ocorrências até agora. A investigação está iniciando e é prioridade para nós, em razão da elevada quantidade de vítimas e da extensão dos prejuízos causados”, afirmou. Segundo ele, os responsáveis pela empresa serão intimados para prestar depoimento, e o enquadramento jurídico definitivo dependerá do avanço das apurações.
Relatos de vítimas apontam que a empresa deixou de responder contatos e encerrou as atividades de forma abrupta, deixando de pagar fornecedores. É o caso do corretor de imóveis Vinícius Canova, que auxilia a mãe, síndica de um condomínio afetado.
Segundo ele, o prédio mantinha contrato com a administradora há mais de 15 anos. Nos últimos dias, começaram a surgir dificuldades de comunicação e indícios de irregularidades em pagamentos. “Fomos até a sede e já havia outros síndicos no local. A informação era de que os funcionários tinham saído no dia anterior e encerrado as atividades”, relatou.
Ainda conforme Canova, o condomínio possui cerca de R$ 53 mil em caixa, valores que não estão acessíveis. Além disso, há débitos em aberto que, segundo registros da administradora, já estariam quitados. “Também verificamos, em consulta ao sistema do Dmae, a existência de débitos em aberto referentes às competências de março, abril e maio. Entretanto, nos comprovantes disponibilizados pela administradora, a competência de março consta como quitada. Essa situação demanda esclarecimentos”, disse.
Ele também destaca que documentos contábeis, pastas físicas e arquivos digitais pertencentes ao condomínio foram retidos, impossibilitando o acesso imediato a informações administrativas e financeiras essenciais.
A Polícia Civil não descarta que o prejuízo total seja elevado, já que há relatos de condomínios com valores muito superiores bloqueados. As investigações seguem em andamento para identificar a extensão dos danos e eventual responsabilização dos envolvidos.
A administradora foi procurada por meio do contato disponibilizado no site oficial, mas não se manifestou até a publicação da matéria. As redes sociais da empresa também foram removidas. O espaço permanece aberto para contraponto.