A Polícia Civil designou cerca de 2,75 mil agentes para rondas ostensivas no Rio Grande do Sul. O objetivo é reforçar a segurança da população que mora em regiões atingidas por chuvas e enchentes. Instaurada em caráter permanente, ao longo de 24 horas por dia, a missão não tem prazo de término.
O patrulhamento terrestre ocorre por meio de viaturas e a pé, o que inclui a fiscalização de abrigos. Em locais alagados, os servidores dispõe de 20 embarcações para rondas fluviais.
De acordo com o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Sodré, a iniciativa foi somada ao trabalho investigativo da instituição. Um exemplo é a Operação Noite Segura, que ocorre diariamente.
"A ostensividade é fundamental neste momento, para que os gaúchos vejam que a Polícia Civil está atuante. Ocorre um misto de visibilidade com investigação, porque as operações não foram interrompidas. Há rondas ostensivas, mas também deflagramos ações contra tráfico, homicídios, além do combate a fake news e outras”, destacou Sodré.
Na Capital, ofensivas se concentram nas zonas Sul, Norte e no Centro. O bairro Mathias Velho, em Canoas, é um dos focos na região Metropolitana. Há ainda São Leopoldo, como exemplo no Vale do Sinos, e o envio de agentes a municípios no interior do estado.
"Óbvio que a ajuda da Força Nacional é bem-vinda, mas a resolução dos problemas de segurança é feita pelas polícias locais. Também é importante o apoio das equipes do Distrito Federal e de estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Tocantins, Amazonas, Santa Catarina e Paraná”, afirmou o chefe da PC.
Indicadores criminais
Fernando Sodré é enfático ao cravar que, apesar do dilúvio, houve queda dos indicadores criminais em maio. Ele reconhece que há possibilidade de aumento em ocorrências de furto, mas nega que a estatística inclua saques.
"Os saques, por definição, ocorrem quando pessoas em grande número invadem um local e levam embora tudo o que há ali. Soubemos de duas situações do tipo, sendo uma em Eldorado do Sul e outra na Capital. Já os furtos, antes feitos apenas em áreas secas, também passaram a acontecer nas regiões alagadas.
"Então não há aumento descontrolado da criminalidade, nem locais ou abrigos sob controle de facções. O que pode existir é a sensação disso, que é gerada em redes sociais e por uma imprensa que não diferencia as coisas”, apontou o delegado Sodré.
Estruturas alagadas
A água não poupou os prédios da instituição. Na zona Norte de Porto Alegre, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), na Avenida das Indústrias, e o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), no bairro Navegantes, foram inundados.
Houve ainda delegacias atingidas na Capital, nas regiões Metropolitana e Carbonífera, Vale do Rio Pardo e no Vale do Taquari. No entanto, Fernando Sodré garante que a inundação das sedes não freou o ritmo das ações.
"Apesar de termos estruturas que ficaram alagadas, nenhum policial parou de trabalhar. É por isso que a Polícia Civil atua em todas as áreas possíveis, como no caso de buscas a desaparecidos. Temos reunido famílias e já localizamos 206 pessoas. Tudo isso porque o momento exige esforço máximo para ajudar a população”, concluiu o delegado.