A professora Thais de Oliveira Rodrigues, 34 anos, já acumula mais de R$ 5 mil em gastos para tratar sequelas físicas e emocionais do ataque a faca que sofreu em Caxias do Sul, na Serra gaúcha. A informação é da defesa dela, que avalia a responsabilização do município por negligência. Nesta segunda-feira, às 14h, os envolvidos no caso vão participar de uma audiência no Fórum do município.
O crime ocorreu na Escola Municipal João de Zorzi, na manhã de 1º de abril. A docente lecionaria a primeira aula do turno quando foi atacada por três estudantes. As atividades na instituição de ensino ficaram suspensas por um dia.
O trio segue apreendido de forma provisória. Dois rapazes, ambos 15 anos, estão em uma unidade da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase) em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos.
Além deles, uma jovem de 13 anos foi enviada ao Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino (Casef), em Porto Alegre. Ela chegou a ser liberada após prestar depoimento, mas acabou sendo apreendida por ordem judicial.
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Nesta tarde, testemunhas, peritos, vítima e suspeitos serão ouvidos em uma audiência de instrução, como é chamada a medida que precede as alegações finais das defesas. Apenas depois disso haverá o julgamento do caso e a determinação do tempo de internação.
Os jovens respondem por ato análogo à tentativa de homicídio, associação para o crime e incitação à prática criminosa. Eles podem ficar recolhidos por até três anos, conforme estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca).
A Polícia Civil encerrou o inquérito do caso na última sexta-feira. Segundo a investigação, os adolescentes levaram cinco facas para a escola após planejarem o crime ao longo de dias em um grupo online intitulado “Matadores”. O motivo seria o descontentamento deles com a direção do colégio. Eles também teriam tentado cooptar outros alunos para participar do ataque, o que acabou não ocorrendo.
O advogado Leonel Ferreira, que representa a professora, disse que ela recebeu diversos golpes de faca nas costas. Apesar dos ferimentos, a vítima se recupera em casa.
Ainda segundo o advogado, a professora já retirou os pontos cirúrgicos e não precisa mais de enfermagem domiciliar, mas ainda faz sessões de fisioterapia para auxiliar na recuperação de sua mobilidade e segue em acompanhamento contínuo com psicóloga e psiquiatra. Não há previsão para o retorno dela ao trabalho.
Ferreira também avalia a responsabilidade do município e de servidores, em possível caso de omissão. A prefeitura de Caxias do Sul disse que fará manifestações apenas quando a ação judicial for apresentada.
"Nosso trabalho se concentrará em analisar as possíveis falhas de segurança e supervisão que podem ter contribuído para a ocorrência deste lamentável episódio. Buscaremos a responsabilização das pessoas competentes para que medidas preventivas sejam implementadas, evitando que situações semelhantes se repitam”, afirmou o advogado.