A Polícia Civil prendeu, na quarta-feira, o principal investigado por um esquema de estelionato envolvendo falsos investimentos que teria causado prejuízo superior a R$ 1,1 milhão a pelo menos 20 vítimas. A ação integra a Operação Mercenarius, conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre.
Além do mandado de prisão preventiva, foram cumpridas ordens de busca e apreensão e medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens, valores e criptoativos vinculados ao investigado.
Conforme a investigação, as vítimas eram atraídas por promessas de rentabilidade acima da média do mercado, investindo recursos em empresas do ramo financeiro administradas pelo suspeito. A captação ocorria, principalmente, por meio de indicações entre familiares e conhecidos.
Após receber os valores, que eram transferidos tanto para contas das empresas quanto para contas pessoais, o investigado teria encerrado as atividades sem restituir os investimentos e deixado o país. Segundo a polícia, ele chegou a informar às vítimas que estaria na Ucrânia, onde teria se engajado na guerra, retornando posteriormente ao Brasil.
Com a inadimplência, parte das vítimas passou a sofrer ameaças. De acordo com a apuração, as intimidações eram feitas por terceiros contratados pelo investigado, incluindo contatos diretos com familiares, entre eles um menor de idade.
Durante a operação, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e materiais que auxiliam na comprovação do esquema. A investigação também identificou que o suspeito possuía registro como Caçador, Atirador e Colecionador (CAC) e já havia sido preso por porte ilegal de arma de fogo. Na noite anterior à operação, uma arma vinculada a ele foi apreendida pela Brigada Militar em Alvorada, em posse de dois criminosos.
“Esquemas de falsos investimentos têm se tornado cada vez mais sofisticados e, neste caso, também violentos, com ameaças contra vítimas e seus familiares para inibir a busca por reparação. A Polícia Civil seguirá atuando de forma incisiva na responsabilização dos envolvidos e na recuperação dos valores desviados”, afirma o delegado Gabriel Lourenço
Os investigados poderão responder por estelionato, ameaça e posse irregular de arma de fogo, além de possível responsabilização por lavagem de dinheiro. A Polícia Civil orienta que pessoas que se sintam lesadas por esquemas semelhantes procurem a unidade para registro de ocorrência.