Polícia

Seis suspeitos de matar homem que confundiu moto com a de traficante são presos em Novo Hamburgo

Maurício Maciel Popioeck, que não tinha relação com o tráfico, morreu após ter sido torturado a mando de uma facção

Polícia Civil deflagrou operação em Novo Hamburgo
Polícia Civil deflagrou operação em Novo Hamburgo Foto : Polícia Civil / CP

Seis pessoas foram presas na Operação Tormentum, deflagrada nesta quarta-feira, em Novo Hamburgo. De acordo com a Polícia Civil, os alvos integram uma facção com base no Vale do Sinos e são suspeitos de envolvimento na tortura e morte de um homem no município.

O assassinato ocorreu no final do ano passado. A vítima, que não tinha qualquer relação com grupos criminosos, morreu apenas por ter confundido a motocicleta de um traficante com a sua.

Dois meses de investigação da Delegacia de Homicídios (DHPP) de Novo Hamburgo precederam a ofensiva. As diligências somaram cerca de 80 agentes, que cumpriram 11 mandados de busca e oito ordens de prisão temporária.

O crime que ensejou a ação foi registrado na madrugada do dia 13 de dezembro. Na data, seis criminosos sequestraram Maurício Maciel Popioeck, 26 anos, que estava na casa de seu pai, na rua Uruguai, no bairro Canudos.

A vítima sofreu torturas ao longo de duas horas. Após receber golpes de faca, socos e chutes, o homem foi colocado no porta-malas de um veículo e abandonado com inúmeras lesões no entorno da casa do familiar. Ele foi levado em estado gravíssimo a um hospital, onde morreu no dia seguinte.

Maurício trabalhava como auxiliar em uma loja de móveis e não tinha antecedentes criminais, e nem qualquer tipo de envolvimento com facções. Ele deixou um filho de 2 anos.

A morte do homem, segundo a polícia, foi motivada pelo simples fato dele ter mexido na motocicleta de um traficante. Ele estava em um bar, também no bairro Canudos, momentos antes de ser sequestrado, e tinha consumido bebidas alcóolicas. Ao sair do estabelecimento, acabou confundindo a moto do criminoso com a sua.

O mal-entendido bastou para motivar o crime. De acordo com o delegado Gabriel Borges, que comandou a apuração, os traficantes que atuam no bairro Canudos pensaram que a vítima havia tentado furtar a motocicleta, e nada mais foi preciso para que a facção decretasse a ordem da morte.

"Após perceber que a moto não era sua, a vítima simplesmente foi embora. Não houve nenhuma intenção de furto, apenas uma confusão. Ocorre que isso foi o bastante para que o grupo criminoso ordenasse uma sessão de torturas brutais, ao longo de horas, e isso resultou na morte”, apontou o delegado Gabriel Borges.

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