Um técnico administrativo da Polícia Penal, de 61 anos, foi preso em flagrante durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Pedro do Sul e Santa Maria, na Região Central do Estado. A investigação da Polícia Civil apura o suposto vazamento de informações sigilosas obtidas a partir de ocorrências registradas nas delegacias dos dois municípios.
A ação foi realizada pela Delegacia de Polícia de São Pedro do Sul, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Penal e da Delegacia Regional de Polícia de Santa Maria.
Durante as buscas, os policiais apreenderam telefones celulares e munições calibre .22. Como o investigado não possui porte funcional de arma de fogo, ele foi preso em flagrante por posse irregular de munição.
Segundo o delegado Giovanni Lovato, a investigação começou após a Polícia Civil identificar que informações sobre ocorrências ainda em apuração passaram a circular antes de qualquer divulgação oficial. Em alguns casos, nem mesmo a Brigada Militar havia participado da ocorrência, restringindo o acesso aos registros.
Um dos episódios que chamou a atenção da investigação envolveu a morte suspeita de uma bebê de três meses, que passou a circular publicamente. “Nós já sabíamos que tinha sido mais por precaução do médico, porque a criança tinha hematomas, mas, na verdade, ela tinha uma síndrome. Era muito prematuro apontar um possível homicídio por parte dos pais”, disse o delegado.
A partir desse e de outros três episódios semelhantes, a Polícia Civil solicitou auditoria nos acessos ao sistema de registros policiais. Conforme Lovato, o servidor investigado foi o único usuário que havia consultado todas as quatro ocorrências.
A análise foi ampliada e, segundo a investigação, constatou-se que ele acessava quase diariamente registros da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Santa Maria, onde trabalha, e também da Delegacia de Polícia de São Pedro do Sul, cidade onde reside.
Para a Polícia Civil, os elementos indicam que as informações eram repassadas a terceiros, incluindo profissionais da imprensa. Os aparelhos eletrônicos apreendidos serão periciados para confirmar a dinâmica dos supostos vazamentos.
A investigação prossegue para identificar o destino das informações acessadas e eventual participação de outras pessoas no esquema.