A Polícia Civil concluiu a primeira fase da investigação sobre as supostas irregularidades envolvendo a administradora de condomínios VenezaUno e indiciou dois sócios da empresa por desvios de recursos de clientes em Porto Alegre. O inquérito, conduzido pela 17ª Delegacia de Polícia, identificou, até o momento, 17 condomínios lesados e um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 770 mil.
As investigações tiveram início após o fechamento repentino da empresa, no começo de junho, quando síndicos e representantes de condomínios passaram a registrar ocorrências relatando dificuldades para acessar recursos administrados pela imobiliária e a constatar pagamentos que não haviam sido repassados a fornecedores e concessionárias.
Segundo a Polícia Civil, foram reunidos 28 registros de ocorrência e colhidos depoimentos de síndicos e representantes condominiais, além da análise da documentação entregue pelas vítimas. A investigação apontou que recursos destinados ao pagamento de despesas dos condomínios deixaram de ser utilizados para essa finalidade.
Conforme o delegado Raul Vier, responsável pela investigação do caso, os investigados também utilizavam comprovantes bancários adulterados para transmitir aos condomínios a falsa impressão de que fornecedores, prestadores de serviços e concessionárias haviam recebido os valores devidos.
Ao final desta primeira etapa, um dos sócios foi indiciado pelos crimes de apropriação indébita e falsificação de documento particular. A outra sócia foi indiciada por apropriação indébita.
A Polícia Civil ressalta que as investigações prosseguem diante do registro de novas ocorrências e da identificação de outros condomínios que também podem ter sido lesados. A expectativa é de que tanto o número de vítimas quanto o valor do prejuízo aumentem à medida que novas informações sejam incorporadas ao inquérito.
A defesa dos sócios, representada pela advogada Juliana Leopardo, informou que ainda não teve acesso ao relatório de indiciamento. "Até o momento não tive acesso ao relatório de indiciamento, razão pela qual, por ora, não tenho como apresentar nenhum tipo de posicionamento", afirmou.
Ainda no início de junho, quando o caso veio à tona, síndicos relataram que a empresa encerrou as atividades de forma abrupta, deixou de responder aos clientes e reteve documentos contábeis e administrativos dos condomínios. Também foram apontadas inconsistências entre comprovantes de pagamentos apresentados pela administradora e débitos que continuavam em aberto junto a concessionárias.