Foi revogada a prisão de um dos suspeitos de envolvimento na morte de dois professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) durante assalto a um hotel em Mato Castelhano, no Norte do estado. A medida ocorreu após a Polícia Civil encontrar imagens que mostrariam o homem em outro local, na mesma data do crime. Apenas um dos investigados permanece preso temporariamente.
De acordo com o advogado Márcio Cantelli Cominetti, responsável pela defesa do suspeito, uma câmera de segurança registrou o momento em que ele abastece um veículo, em Passo Fundo, na madrugada de 25 de julho. No mesmo intervalo de tempo, a 17 quilômetros dali, os professores Felipe Turchetto, de 35 anos, e Fabiano de Oliveira Fortes, de 46, foram assassinados a tiros no hotel em Mato Castelhano.
O suspeito estava recolhido no Presídio Estadual de Sarandi, após ter sido preso em Passo Fundo no último sábado. Na ocasião, além dele, mais dois homens também foram localizados na cidade. Um deles acabou sendo solto no mesmo dia, após prestar depoimento, mas o outro permanece detido.
Márcio Cantelli afirma que o cliente foi incriminado por um dos outros dois investigados. No caso, quem o teria implicado no crime foi o suspeito de atuar como motorista na fuga dos assaltantes. Esse é o mesmo homem que foi preso e depois solto, no sábado, após prestar depoimento.
"O suspeito de ter sido motorista implicou meu cliente na cena do crime, como se ele fosse um dos assaltantes. Não sei qual foi o motivo disso, mas fato é que esse homem foi solto após o relato. Mantiveram meu cliente preso, sob o argumento que sabiam que ele supostamente estaria ‘andando com bandidos’ nos últimos dias. Ainda bem que encontramos as imagens que provam a inocência dele”, destacou o advogado.
Ainda conforme o jurista, o único investigado que segue preso é apontado pela Polícia Civil como um dos assaltantes. Ele também é o único dos suspeitos, até o momento, que é natural de Mato Castelhano.
Relembre o crime
Em 24 de julho, noite que precedeu o crime, dois homens deram entrada em um hotel, na avenida Presidente Getúlio Vargas, em Mato Castelhano. Eles chegaram ao estabelecimento em um veículo roubado e com placas clonadas, que permaneceu estacionado em frente ao local e foi apreendido posteriormente.
Na madrugada, a dupla teria ido ao restaurante da hospedagem e anunciado o roubo aos presentes. Os professores Felipe Turchetto e Fabiano de Oliveira Fortes, acompanhados de um grupo de alunos teriam chegado no local poucos momentos depois, quando se depararam com um dos assaltantes na porta do estabelecimento. Alguns deles conseguiram fugir, mas outros acabaram sendo rendidos.
Os reféns, entre eles os dois professores, foram obrigados a deitar no chão e tiveram as mãos amarradas. A proprietária do hotel foi levada a um cômodo separado, onde houve tentativas de transferir valores via Pix que acabaram falhando.
De acordo com registros do 3º Regimento de Polícia Montada (3º RPMon), as duas vítimas teriam sido baleadas e mortas após terem reagido. A Polícia Civil constatou que um dos professores conseguiu se desvencilhar das amarras e entrou em luta corporal com um bandido, enquanto o outro teria reagido ao ver o colega baleado. Os criminosos fugiram antes da chegada dos policiais ao hotel.
Conforme a UFSM, os docentes estavam no município para uma viagem de estudos. Eles e mais um professor acompanhavam um grupo de 15 estudantes do curso de Engenharia Florestal para uma visita de campo à Floresta Nacional de Passo Fundo, que fica em Mato Castelhano. A excursão era parte da disciplina de Práticas Florestais.