Polícia

Suspeito de estuprar menina de dez anos em Canoas é preso no Rio de Janeiro

Homem de 51 anos era o último alvo da Operação Vozes da Inocência

Suspeito de estuprar criança em Canoas foi preso no Rio de Janeiro
Suspeito de estuprar criança em Canoas foi preso no Rio de Janeiro Foto : PC /CP

O trabalho conjunto entre policiais civis gaúchos e cariocas resultou na prisão de uma foragido no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, o homem de 51 anos é suspeito de estuprar uma menina, de dez anos, em Canoas. Ele foi detido na sexta-feira, mas a informação foi confirmada na manhã deste sábado.

Ele era procurado desde o dia 29 de agosto, quando foi um dos alvos da Operação Vozes da Inocência, coordenada por agentes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Canoas. Na data, outros quatro investigados foram presos.

Acontece que esse homem estava fora do território gaúcho desde o final do ano passado, escondendo-se na região da Vila Angélica, no bairro Parada Angélica, em Duque de Caxias, onde nasceu. Também ali, acabou sendo preso.

De acordo com o titular da DPCA de Canoas, delegado Maurício Barison, o fugitivo cometeu crimes de estupro de vulnerável ao longo de 2024, no bairro Harmonia. Ele era namorado da tia da vítima.

"Os abusos foram flagrados por uma irmã adolescente da vítima. Ela fez a denúncia e impulsionou a investigação. Ocorre que, no curso do inquérito, o criminoso fugiu para seu estado natal”, pontuou o delegado Maurício Barison.

Em nota, a Polícia Civil do Rio de Janeiro disse que, com essa prisão, reafirma sua cooperação interestadual e o compromisso no enfrentamento dos crimes mais hediondos contra crianças e adolescentes, garantindo que criminosos não permaneçam impunes.

Operação Vozes da Inocência

A Operação Vozes da Inocência teve como objetivo deter suspeitos de crimes de natureza sexual contra crianças e adolescentes em Canoas. Mais de 30 policiais civis fizeram parte da ação. Cinco pessoas foram presas preventivamente.

Sob o comando do delegado Maurício Barison, a ofensiva também buscou trazer luz à importância das palavras das vítimas, muitas vezes desacreditadas ou minimizadas, até mesmo dentro do ambiente familiar. "A operação além de dar cumprimento a ordens judiciais, simboliza o respeito e a valorização do depoimento dessas crianças e adolescentes, que, mesmo fragilizadas, tiveram coragem de romper o silêncio”, disse.

O diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana (DPRM), delegado Cristiano Reschke, reafirmou o compromisso da polícia na proteção das crianças e adolescentes. “A operação de hoje libertou vítimas do que considero uma espécie de cárcere psicológico, com danos que acompanharão suas vidas. Essas crianças tiveram suas vozes sequestradas quando sofreram violências sexuais dentro de casa por parte de homens que deveriam, por compromisso legal e moral, justamente protege-las. Hoje a voz delas ecoou e resultou na prisão desses verdadeiros monstros, rompendo ciclo de abusos.”

Alvos da ação

Caso 1 – Avô abusa de neta e de amiga da neta como “namoradas”

Um homem de 78 anos era suspeito de estuprar sua própria neta (14 anos) e uma amiga dela (12 anos). Os crimes aconteceram durante meses, enquanto ele ludibriava a família para receber acolhida após a enchente que assolou a cidade de Canoas, em 2024. Não satisfeito em abusar das meninas dentro da casa onde era hóspede, o idoso ainda as levava a um bar, onde referia-se a ambas como suas “namoradas”. Com medo e pressionadas por ameaças, as jovens permaneceram em silêncio até encontrarem coragem para denunciar a equipe escolar, que acionou a Polícia Civil. Prisão preventiva decretada.

Caso 2 – Padrasto chantageia enteadas com brincadeiras e cartão de crédito

Outro caso envolveu um padrasto de 42 anos, que manipulava e abusava sexualmente das enteadas de 12 e 14 anos no próprio lar, quando ficavam sem a presença da mãe. De forma vil, mascarava os crimes como "brincadeiras" de cosquinhas e massagens forçadas.

Em uma tentativa doentia de se aproximar, chantageava as meninas, oferecendo o cartão de crédito para que realizassem os atos. Graças à denúncia da avó materna das meninas, a Polícia deu início às investigações que resultaram em mandado de prisão preventiva.

Caso 3 – Avô destrói a infância da neta com conjunção carnal - mais de 4 anos de abusos

Um homem de 71 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral, passou a residir com o filho, local onde abusou da própria neta durante anos (dos 7 aos 11 anos). Sob o pretexto de buscar assistência, ele invadiu a infância da menina com beijos, carícias e, por fim, conjunção carnal. Estes abusos levaram a vítima à perda da virgindade e a marcaram irreversivelmente.

Somente na adolescência, após enfrentar dificuldades afetivas, a vítima conseguiu relatar os abusos, iniciando a busca por justiça contra o próprio avô. Prisão preventiva decretada.

Caso 4 – Pai abusa sexualmente da filha, que recorre à automutilação

A operação investigou também um caso no qual o pai biológico, de 41 anos, abusava sexualmente da própria filha de 12 anos. A dor e o silêncio levaram a vítima a um estado de sofrimento tão extremo que ela começou a se automutilar. Com o apoio de uma meia-irmã que também havia sido vítima do agressor, a denúncia finalmente chegou à Polícia Civil.
O delegado Barison destacou a gravidade do caso. "Os efeitos psicológicos e sociais de crimes como este são devastadores. Não permitiremos que esses monstros sigam dilacerando vidas."

Caso 05 - “Tio” abusava dentro de casa se aproveitando da confiança da família.

Crime ocorrido na cidade de Canoas, em 2024, bairro Harmonia. Indivíduo, 51 anos, abusava sexualmente da vítima de 10 anos de idade, sobrinha de sua companheira.

O crime foi flagrado pela irmã adolescente, que visualizou o indivíduo praticando o abuso contra a criança. O indivíduo é natural do estado do Rio de Janeiro.