Dois homens acusados pela morte de uma mulher grávida foram condenados pelo Tribunal do Júri nesta sexta-feira. Um dos réus recebeu pena de 106 anos, 8 meses e 10 dias de prisão, e o outro foi condenado a 92 anos, 5 meses e 15 dias. Ambos foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pela morte de Ana Paula Leal Pedrozo, de 20 anos, grávida de seis meses, em maio de 2015, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Outros três réus foram absolvidos das acusações de homicídio e de tentativas de homicídio. O MPRS informou que pretende recorrer da decisão. Os cinco denunciados também foram condenados por associação criminosa armada. Atuaram no caso os promotores de Justiça Priscilla Raminelli Leite Pereira, da comarca, e Eugênio Paes Amorim, do Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ).
O caso
As provas apresentadas em plenário demonstraram que os dois condenados emboscaram o veículo ocupado pela jovem e seus familiares, efetuando 56 disparos de arma de fogo contra o automóvel. O ataque resultou na morte de Ana Paula e do feto, além de deixar duas mulheres e um homem feridos. Outros dois familiares que também estavam no carro não foram atingidos.
O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras da impossibilidade de defesa das vítimas, surpreendidas dentro do veículo, e do motivo torpe, decorrente de vingança.
O MPRS sustentou que o atentado ocorreu em meio a disputas pelo controle do tráfico de drogas na Parada 79, em Gravataí. Conforme a investigação, a ação foi ordenada por líderes de uma organização criminosa após o assassinato do marido de Ana Paula dias antes. Os autores, que circulavam em um Corsa com giroflex, teriam continuado atirando mesmo após alertas sobre a presença de familiares no carro.