A menina de 4 anos que morreu com sinais de violência foi sepultada na manhã desta terça-feira, em Porto Alegre. A criança foi levada durante a madrugada de segunda-feira à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na zona Norte da Capital, já sem vida.
A Polícia Civil investiga o caso e, até o momento, não há suspeitos oficialmente identificados nem pessoas consideradas foragidas. O nome da vítima não é divulgado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O velório começou à meia-noite e terminou próximo das 9h desta terça-feira, no Cemitério São Miguel e Almas. A cerimônia foi marcada pela comoção de familiares e amigos, abalados pela morte precoce e violenta da criança. Cerca de 30 pessoas estiveram no local ao longo da despedida para prestar as últimas homenagens à menina.
A família realizou uma vaquinha para custear o velório. Conforme os parentes, pessoas desconhecidas teriam divulgado pedidos de doações em nome da família. Eles informaram que o valor necessário já foi arrecadado e pedem que não sejam realizados novos depósitos.
Durante a despedida, parentes também relataram preocupação com a circulação de informações falsas ou equivocadas sobre o caso nas redes sociais. A natureza da morte provocou revolta e, diante da repercussão, familiares manifestaram temor de que parentes sem qualquer envolvimento com o crime possam ser alvo de represálias.
Investigação
O caso é investigado pela 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), vinculada ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca). Nesta terça-feira, a Polícia Civil ouve testemunhas e realiza diligências para esclarecer as circunstâncias da morte e identificar eventuais responsáveis.
De acordo com a delegada Alice Fernandes, responsável pela investigação, até o momento não há suspeitos oficiais. A tia da menina e o companheiro dela, que levaram a criança à UPA na madrugada de segunda-feira, não são considerados foragidos, ao contrário do que vem sendo divulgado nas redes sociais.
O que aconteceu
A menina foi levada à UPA Bom Jesus por volta da meia-noite, já sem vida. Segundo a equipe médica, ela apresentava diversos sinais de violência pelo corpo e cabeça, incluindo lesões que levantaram suspeita de abuso sexual. A suspeita e a causa da morte devem ser esclarecidas a partir dos resultados dos exames periciais.
A criança teria sido levada à unidade de saúde por uma tia materna e o companheiro dela. Os pais não compareceram à unidade. A tia, que compartilha a guarda da menina com a mãe da criança, permaneceu na unidade de saúde e foi encaminhada para prestar depoimento.
Segundo a Brigada Militar, o companheiro da tia fugiu ao perceber a chegada de uma viatura ao local, e o paradeiro dele é desconhecido. Conforme a Polícia Civil, ele não é considerado foragido, pois não há, até o momento, elementos que justifiquem um pedido de prisão.
A família da menina já havia sido acompanhada por órgãos de proteção, em razão de situações anteriores envolvendo os responsáveis. A guarda da criança chegou a ser atribuída provisoriamente ao avô e, mais recentemente, a tia materna procurou a Defensoria Pública do RS, após encaminhamento do Conselho Tutelar, para regularizar a situação, informando que a menina estava morando com ela.