A violência doméstica vai além das agressões físicas e pode começar de forma silenciosa, impactando não apenas a vida pessoal das vítimas, mas também o ambiente de trabalho. O alerta foi feito pela advogada Andresa Rodrigues, vice-presidente da Comissão de Família e Sucessões da OAB/RS – Subseção Guaíba, durante palestra realizada nesta sexta-feira.
A atividade integrou o encerramento da Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat), promovida no Espaço Cultural do Correio do Povo, em Porto Alegre, e teve como foco a conscientização sobre as diferentes formas de violência contra a mulher.
Segundo Andresa, ainda há uma percepção limitada sobre o tema. “Quando se fala em violência doméstica, muitas pessoas pensam apenas na agressão física, mas ela começa muito antes e pode se manifestar de diversas formas”, explicou. Entre elas, a advogada destacou a violência psicológica, patrimonial e moral.
Ela também chamou atenção para o chamado ciclo da violência, que inclui momentos de agressão, seguidos por pedidos de desculpa e promessas de mudança. “Existe uma fase de tensão, depois a agressão e, em seguida, uma espécie de ‘lua de mel’, em que o agressor diz que não vai mais repetir aquilo. Isso acaba prendendo a vítima nesse ciclo”, afirmou.
Outro ponto abordado foi o reflexo desse tipo de violência no ambiente profissional. Conforme a advogada, situações vividas dentro de casa podem afetar diretamente o desempenho e a segurança no trabalho. “Uma mulher em situação de violência pode estar vulnerável, o que impacta sua rotina e também pode colocar outras pessoas em risco”, disse.
Andresa ressaltou ainda que a violência doméstica tem raízes culturais e que o enfrentamento passa pela informação e educação. “Muitas vezes, a mulher não reconhece que está sendo vítima. Por isso, falar sobre o tema é fundamental para que ela consiga identificar a situação e buscar ajuda”, pontuou.
A advogada também destacou a existência de canais de apoio, como delegacias especializadas e o telefone 180, além de iniciativas educativas. “A OAB tem projetos como o ‘OAB vai à escola’, que levam esse assunto. A gente só quebra uma cultura trazendo educação e demonstrando que aquilo é um crime. As crianças são futuro”, conclui.