Política

Andamento de projeto da escala 6x1 depende de autorização para comissão especial

Colegiado deverá ser aberto por Hugo Motta e passará a discutir implementação da proposta

Comissão especial que irá discutir fim da escala 6x1 depende de ato de Hugo Motta
Comissão especial que irá discutir fim da escala 6x1 depende de ato de Hugo Motta Foto : Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que sugere o fim da escala 6x1 foi aprovada nessa quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, mas ainda terá um longo caminho até chegar ao plenário. O projeto ainda deverá ser avaliado por uma comissão especial, que só será aberta a partir de uma autorização do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). As informações são do portal R7.

Este colegiado irá definir as regras sobre como a mudança na carga horária semanal de trabalho será implementada. Dois pontos de debate são dados como certos no colegiado: para que a redução da jornada seja implementada de forma gradual; para que seja implementada uma redução de impostos, a fim de compensar empresas pela mudança da jornada dos funcionários.

Na comissão especial, os deputados vão discutir pontos como a nova carga horária semanal exata (por exemplo, se será fixada em 40, 36 ou 30 horas), as regras de transição (quando a lei começaria a valer) e as eventuais compensações aos empregadores para mitigar o impacto econômico e evitar perda de empregos.

A comissão será aberta a partir de um ato a ser publicado por Motta, que também vai indicar a quantidade de parlamentares que farão parte da comissão. Na sequência, partidos escolhem quais deputados farão parte do grupo.

A expectativa, segundo líderes de partidos, é de que todo esse processo ocorra até a próxima terça-feira (28), com a instalação da comissão e eleição da presidência e relatoria do colegiado. A previsão, segundo Motta, é de avançar com o tema “o mais rápido possível”.

“Meu compromisso é avançar rápido, mas sempre com muito equilíbrio e responsabilidade. Vou determinar o mais rápido possível a criação da comissão especial para debater a proposta”, afirmou o presidente da Câmara por rede social, após a votação na CCJ.

Além dos desafios de processos, a comissão terá um calendário apertado para analisar a PEC. Isso por causa da estimativa de que a proposta seja analisada pelo plenário até o fim de maio, antes do prazo de um projeto do governo que também prevê o fim da escala 6x1.

Para isso, a comissão precisará de no mínimo dez sessões de debates. Apesar do desafio de cronograma, parlamentares consideram que o calendário é factível.

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Congresso x governo

O Palácio do Planalto enviou ao Congresso um projeto de lei nos mesmos moldes da PEC em avaliação pelos deputados. A proposta estabelece uma carga horária semanal de trabalho de até 40 horas, com a previsão de dois dias de folga por semana.

O projeto foi apresentado com urgência constitucional, o que determina a votação em até 45 dias, sob pena de trancar a pauta do plenário. O cronograma condiciona a votação do texto do governo até o fim de maio.

Hugo Motta, contudo, tem defendido priorizar o fim da escala 6x1 a partir da iniciativa do Congresso — com a análise da PEC, em vez do projeto do governo.