Política

Cármen Lúcia determina cassação imediata do mandato de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj

Político foi condenado por abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022

Bacellar foi preso no ano passado por suspeita de vazar informações de operação policial
Bacellar foi preso no ano passado por suspeita de vazar informações de operação policial Foto : Octacilio Barbosa/Alerj

A ministra Cármen Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confirmou nesta quarta-feira, 25, que o mandato do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), será imediatamente cassado. A fala foi feita em sessão extraordinária e reforçou que, no caso de Bacellar, há perda de mandato e necessidade de retotalização dos votos da eleição de 2022.

Bacellar foi condenado nesta terça-feira, 24, junto do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do ex-vice-governador Thiago Pampolha por abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas Eleições Gerais de 2022.

Na sessão desta terça, houve dúvida no tribunal sobre a execução da condenação porque, no caso de Castro, a aplicação imediata não se daria, já que ele havia renunciado ao cargo na segunda-feira, 23, um dia antes da conclusão do julgamento. Pampolha também deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

Assim, Cármen Lúcia esclareceu durante a leitura da ata que, para Bacellar, a decisão deveria ser aplicada de forma imediata.

"Ministro Floriano (de Azevedo Marques) indagou, no momento, se, considerando que o governador renunciou na véspera, não haveria execução imediata. Nós acompanhamos a relatora (Isabel Gallotti), menos para o governador. E aí, que fique constante na ata que a execução é imediata, porque há a perda do mandato do deputado e a necessidade de retotalização de votos", explicou a ministra. Segundo ela, a execução imediata não se aplica ao governador justamente porque ele já havia renunciado.

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A execução da decisão era central nas articulações políticas em torno do mandato-tampão, por influenciar o cenário de sucessão no governo do Rio de Janeiro. Atualmente, o governo do estado está sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto.

A expectativa é que, com a cassação do mandato de Bacellar e a retotalização dos votos, seja realizada uma nova eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), cargo atualmente ocupado de forma provisória pelo deputado Guilherme Delaroli (PL).

O novo chefe da Casa poderá assumir o Executivo estadual e conduzir o processo de eleição indireta para governador-tampão do Rio de Janeiro, que exercerá o mandato até dezembro.

Segundo a acusação, Bacellar atuou junto de Cláudio Castro no esquema que utilizou a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para criar mais de 27 mil cargos irregulares comissionados e empregar cabos eleitorais para favorecer a reeleição do governador em 2022. O ex-deputado estadual está inelegível até 2030.