Política

É inaceitável a proposta de governo de transição com EUA, diz Mercadante sobre Flávio Bolsonaro

Presidente do BNDES destaca que medida pode fragilizar soberania nacional

Mercadante destacou a importância dos dados sobre minerais críticos e estratégicos
Mercadante destacou a importância dos dados sobre minerais críticos e estratégicos Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP

A proposta do pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro (RJ), para que os Estados Unidos participassem do governo de transição se vencesse as eleições foi classificada pelo presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aluizio Mercadante, como "inaceitável".

"Acesso dos EUA a dados de terras raras e da Margem Equatorial é risco soberano. Falo como quem fez parte do grupo de transição, são informações estratégicas", disse Mercadante após participar do lançamento de projetos de recuperação da Mata Atlântica na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

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Risco à soberania e dados estratégicos

Mercadante explicou que, como parte do grupo de transição do governo Bolsonaro para o governo Lula, teve acesso a dados estratégicos da Margem Equatorial durante uma visita ao centro de pesquisa da Petrobras (Cenpes). Ele ressaltou: "Fomos visitar o Cenpes antes da licença para exploração da Margem Equatorial. Lá você vê o subsolo, toda a área semelhante ao pré-sal, o potencial, onde já tinham reservas na região, são informações estratégicas e que nunca vazaram".

Ele também mencionou: "Fomos ao Ministério da Defesa e você vê todas as necessidades de defesa do País, as prioridades, onde vão investir", exemplificando a sensibilidade das informações. Em relação ao BNDES, Mercadante destacou a importância dos dados sobre minerais críticos e estratégicos.

"Isso aqui é o mapa da mina dos minerais críticos e minerais estratégicos do País. Como você pode oferecer para uma nação estrangeira, que ela participe da transição e tenha acesso a essas informações?", questionou o executivo, referindo-se à carta do secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, endereçada a Flávio Bolsonaro. Mercadante concluiu: "Mas isso só aconteceria se (Flávio) vencesse a eleição, e isso não vai acontecer".