O ex-presidente da Conab, Edegar Pretto (PT), confirmou, na manhã desta quinta-feira, 16, que será o vice na chapa a ser encabeçada por Juliana Brizola (PDT) ao governo do Estado. A confirmação oficial foi feita por meio de uma carta aberta, dirigida aos petistas.
O anúncio de Pretto como vice ocorre uma semana depois da intervenção feita pelo PT nacional junto ao diretório gaúcho, que obrigou o petista a desistir de sua pré-candidatura ao governo. E o partido, no RS, a fazer uma aliança com o PDT, e apoiar Juliana.
O PT estadual havia escolhido Pretto no ano passado, por unanimidade, após uma série de encontros regionais. Ele já tinha definido marqueteiro e coordenadores de campanha e de plano de governo. Lançado, no final de fevereiro, um roteiro de viagens pelo RS, para colher sugestões e debater a elaboração de propostas. E aglutinado uma coalizão.
Além de o PT estar federado com PCdoB e PV, tinha obtido o apoio do PSB e fechado com a federação PSol/Rede, que indicou um dos nomes da chapa para o Senado, o da ex-deputada Manuela D’Ávila. Agora, vai trabalhar para transferir a coalizão para Juliana, que deve passar a liderar as negociações.
O PDT gaúcho, também por decisão de seu presidente nacional, Carlos Lupi, havia decidido apostar no nome de Juliana e colocar o RS na mesa de negociações, como moeda de troca para o apoio à reeleição de Lula. Apesar de o partido, atualmente, contar, no RS, com alas de simpatizantes do bolsonarismo e com lideranças muito próximas do atual governo estadual. Os trabalhistas integravam a base do governador Eduardo Leite (PSD) até o início de abril, quando anunciaram sua saída em função das negociações nacionais do PDT com o PT.
Na carta, de duas páginas, Pretto explicita sua função na chapa. “Assumo essa posição com um papel muito claro: contribuir para que essa candidatura alcance densidade política, tenha alinhamento programático e expresse, de forma clara, o compromisso com o campo progressista.”
Ele também repete o mantra que vem sendo propagado por dirigentes nacionais, e repetido por gaúchos, de que a prioridade absoluta do partido é a reeleição do presidente Lula. E tenta minimizar o impacto da imposição da decisão de Brasília. “Quero reafirmar com toda clareza: a prioridade nacional jamais significará tratar o Rio Grande do Sul como secundário”, afirma, em um dos trechos.
Em outra parte, o ex-presidente da Conab assegura que a construção que vinha sendo feita entre as seis siglas que se concentraram em torno de sua pré-candidatura será aproveitada. “Ela será a base do projeto que apresentaremos ao povo gaúcho, agora com uma aliança ainda mais ampla”, assinala.
A promessa se soma a outras, publicadas em documento do diretório estadual também nesta semana, no sentido de requerer que a pré-candidatura de Juliana se comprometa abertamente com algumas das bandeiras específicas da esquerda. Mas o fato de aliança ter sido determinada pelo comando nacional desidrata as exigências.
Ao final, o petista declara ter convicção de que será construída uma relação de respeito e colaboração com Juliana, fazendo alusão ao período em que ambos exerceram mandatos como deputados estaduais.
A seguir a carta na íntegra.