O governador Eduardo Leite (PSD) voltou a admitir nesta quarta-feira que considera disputar uma cadeira ao Senado nas eleições deste ano. A consideração aconteceu em dois momentos distintos, no início e ao término do almoço Fecomércio-RS Debate. O encontro, promovido pela Federação do Comércio de Bens e de Serviços, reúne empresários e lideranças dos setores, e teve o governador como o primeiro palestrante do ano.
Ao chegar, enquanto falava com a imprensa, Leite repetiu que o PSD continua no processo de definição de uma candidatura à presidência, e assinalou ser uma das opções do partido. Ressalvou, contudo, que se sua legenda encaminhar outra decisão que não inclua seu nome, discutirá a candidatura ao Senado. “Existe uma possibilidade real de buscar ajudar o nosso Estado a partir do Senado da República”, afirmou.
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Na parte final do encontro, quando respondia a perguntas de participantes, Leite voltou a ser questionado sobre seu futuro político. Falou de suas aspirações nacionais, mas, de novo, citou o Senado caso não consiga avançar na direção de uma candidatura à presidência da República. “Se não prosperarmos para avançar nisso, uma candidatura à presidência, eu vou me movimentar para onde melhor possa contribuir com o Estado. E entendo que eventualmente isso envolva uma candidatura ao Senado”, reforçou.
Se quiser concorrer ao Senado ou à presidência, Leite precisa se desincompatibilizar do cargo até seis meses antes da data do primeiro turno, ou seja, até 4 de abril. Na Fecomércio, ele garantiu que anunciará sua decisão ainda em março.
As novas referências ao Senado acontecem após, nos últimos meses, ter ganhado força a tese, alimentada pelo próprio governador e seus articuladores, de que ele poderia optar por ficar no cargo até o término do mandato, sem disputar a eleição de 2026. A saída de Leite do cargo e sua consequente ocupação pelo vice-governador Gabriel Souza (MDB), contudo, é considerada parte essencial da estratégia do partido do vice para tentar alavancar a candidatura de Gabriel à sucessão após siglas importantes da base governista terem definido que não vão apoiar o emedebista na corrida pelo governo.
Governador defende pedágios e comemora situação fiscal
A longa explanação de Leite na Fecomércio sobre indicadores e investimentos do Executivo também ajudou a deixar a plateia convencida de que ele, ao contrário do que vinha sinalizando nos últimos meses, deve mesmo disputar as eleições de 2026.
Na apresentação, composta por 39 cards, o político reforçou o slogan adotado para a reta final da administração, calcado na expressão “O Rio Grande tá diferente!”, que resume a argumentação de o Estado melhorou indicadores em diferentes áreas ao longo dos seus dois governos.
Ao evento, o governador chegou anunciando que a classificação do RS passou de D (a pior) para C na Avaliação da Capacidade de Pagamento (Capag), medida pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O Tesouro Nacional usa o indicador para avaliar a situação fiscal de estados e municípios que pretendem contratar operações de crédito com garantia da União.
Leite dedicou também parte significativa de sua palestra ao tema das concessões rodoviárias, que deve pautar a campanha eleitoral, assinalando que sempre defendeu o modelo. “Defendi este modelo nas duas últimas eleições. Em 2018, quando concorri, falei que faríamos as concessões das rodovias. Fui reeleito em 2022 já tendo feito a concessão da 287; com o Bloco 3, na Serra, já com contratos encaminhados; e falando que faria os dois blocos seguintes.”
Após classificar a concessão das rodovias como “o tema do momento”, e ante uma plateia receptiva, o governador disse que os debates sobre as novas concessões são “demagógicos”, associou as críticas à disputa política e fez referência à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pedágios da Assembleia Legislativa. “Me ofereci para ir na CPI. Me chamem, eu quero ir lá para debater.” Os deputados integrantes do colegiado já aprovaram, na última segunda-feira, 23, convite para que o governador preste esclarecimentos sobre as concessões.