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Eleições 2026: Rio Grande do Sul tem 382 candidatos a menos do que em 2022

Neste ano há 1.051 concorrentes, uma diminuição de 26,65%

Número de candidatos vinha em uma crescente
Número de candidatos vinha em uma crescente Foto : Leandro Maciel

As Eleições 2026 registraram uma queda na quantidade de candidatos registrados em relação a 2022 no Rio Grande do Sul. Neste ano, há 1.051 concorrentes, 382 a menos do que no último pleito, que tinha 1.433, o que representa uma diminuição de 26,65%. É a primeira vez que o número de candidatos decai em relação a uma eleição geral, pois vinha em crescimento: 2018 (1.340); 2014 (1.088); 2010 (997); 2006 (813); 2002 (700).

Dos 1.043 candidatos gaúchos, 690 são homens e 361 são mulheres — 28,35% e 23,19% a menos do que em 2022, respectivamente. Os números de postulantes aos cargos de deputado estadual e federal, governador e vice caíram, enquanto os de senador, 1º e 2º suplentes aumentaram.

Em 2026, foram registradas 536 candidaturas para o cargo de deputado estadual, 294 a menos em relação a 2022, uma queda de 35,42%. Para deputado federal, foram registradas 454 candidaturas, 92 a menos do que no último pleito, uma redução de 16,84%.

Também houve queda na quantidade de postulantes ao Palácio Piratini: em 2026, são sete nomes disputando, cinco a menos do que em 2022, uma queda de 41,66%. Consequentemente, o número de candidatos a vice também reduziu: também são sete, porém quatro a menos do que no último pleito, uma queda de 36,36%.

Já a quantidade de candidatos ao Senado Federal cresceu: 13 nomes disputam neste ano, dois a mais do que em 2022, quando houve 11 (aumento de 18,18%). Os postulantes a 1º suplente apresentaram um crescimento mais tímido, com 13 neste ano, contra 12 em 2022 (aumento de 8,33%). O cargo de 2º suplente também teve aumento: 13 em 2026 contra 11 em 2022, crescimento de 18,18%.

Além disso, o número de partidos políticos disputando alguns cargos também reduziu. Para deputado estadual, em 2022 houve 28 partidos e, em 2026, 21; para deputado federal, no último pleito registraram-se 30 e, em 2026, há 26. Para governador e vice, eram 11 partidos concorrendo em 2022, e em 2026 são sete para cada cargo.

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Já a disputa para o Senado apresentou crescimento, e para suplentes manteve-se a mesma quantidade. Em 2022, eram 10 partidos disputando, contra 11 em 2026. Para 1º e 2º suplentes, eram 10 partidos no último pleito, e neste há a mesma quantidade.

O cientista político e professor da Escola de Humanidades da PUCRS, Augusto Neftali Corte de Oliveira, avaliou que a redução se deve à entrada em vigor de uma cláusula de desempenho mais avançada: “Ela foi estabelecida já há alguns anos e vem aumentando a exigência dos partidos políticos para que eles tenham acesso tanto a fundos públicos, ao dinheiro público, quanto aos direitos de bancada no parlamento. Então, os que não cumprirem a cláusula de desempenho estão sendo penalizados.”

O professor explicou que a cláusula de desempenho na eleição de 2026 vai ser de pelo menos 2,5% dos votos válidos, com pelo menos 1,5% em nove estados, em número de votos, ou pelo menos 13 deputados federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação. “Então, é uma cláusula de desempenho mais rigorosa. Ela vai aumentar inclusive para 2030 até chegar em 3% dos votos válidos.”

Conforme Augusto, o país está dentro de um sistema que está tentando reduzir o número de partidos políticos no Brasil: “A gente tem que ter noção de que, depois de 2014, o Brasil se tornou o país com o maior número de partidos políticos parlamentares e a mais elevada fragmentação partidária na Câmara dos Deputados, a Câmara Baixa, no mundo.”

“A partir dessa situação, alguma coisa teve que ser feita. Então, foi aprovada a cláusula de desempenho, que não impede ninguém de ser eleito, mas penaliza os partidos que não conseguem, que são de fato muito pequenos e que ficam, então, sem acesso a esses benefícios públicos”, explicou o professor.

Devido a isso, conforme apontou o professor, esses partidos precisam se coligar em federações com outras siglas ou são incorporados por partidos maiores: “Eles se juntam para ter mais chances nas eleições.”

Augusto avalia que outro fator foi a proibição das coligações para eleições proporcionais, situação que colocava na mesma chapa partidos ideologicamente muito diferentes: “O eleitor votava no partido X e, sem saber, estava elegendo um candidato do Y. Hoje ainda existem coligações, mas são apenas para o majoritário, ou seja, para presidente, governador e senador.”

“Acontece que, depois do regime militar, que tinha aquele bipartidarismo que na prática era um sistema que compelia os políticos a ficarem ou na Arena ou no MDB, teve a liberalização dos partidos políticos e teve-se a ideia de que quanto mais siglas, mais candidatos, isso demonstraria vitalidade democrática e que todo mundo que queria de fato podia buscar a eleição”, apontou o professor.

Fragmentação partidária

Conforme Augusto, isso causou certos problemas, pois muitos partidos e candidatos se colocam sem ter um impulso social original: “Muitos políticos observam as vantagens de ter um partido só deles no Estado, ou no qual eles são lideranças incontestes, o que lhes confere vantagens do ponto de vista de acesso a recursos de campanha eleitoral, tempo de TV e também de atividade parlamentar.”

Augusto explicou que os políticos agem da seguinte forma: se está tudo bem, o político fica no partido; mas, caso surja algum problema, prefere sair e fundar o próprio, ou entrar em um novo ou desconhecido. E isso, segundo o professor, foi fragmentando o sistema partidário brasileiro: “Não porque surgiram novos interesses sociais, embora isso também acontecesse em certos casos, mas a grande parte da fragmentação partidária se deu por estratégia política eleitoral das elites políticas.”

Conforme Augusto, essa situação foi artificialmente criada por conta da facilidade no Brasil não só de criar partidos políticos, mas de ver essas siglas acessando grandes somas de tempo de TV e recursos para fazer campanha, e isso sem ter um número coerente de votos: “Isso gerou aquela grande fragmentação partidária que a gente observou até recentemente.”

Cláusula de desempenho

Augusto explicou que a cláusula de desempenho não é antidemocrática, porque todo mundo pode concorrer e se eleger. O que está sendo retirado desses pequenos partidos que não alcançam a cláusula de desempenho são apenas benefícios.

“Se a gente for pensar num sistema como o da Alemanha, quem não faz 5% na eleição nacional não elege ninguém. Aquela pessoa que poderia ser eleita não assume porque o partido foi barrado pelo seu desempenho muito baixo. Aqui no Brasil, a gente está falando hoje de uma cláusula de desempenho que não impede ninguém de se eleger e que é de apenas 2,5%. Então, não tem nada de antidemocrático nisso.”

Redução é positiva

O professor avalia a redução no número de candidatos como um “sinal positivo”, pois ainda são muitos postulantes, uma quantidade de partidos muito elevada, e essa fragmentação deixa a eleição mais complexa: “Complexa para que o eleitor entenda quais são de fato as candidaturas e os partidos que buscam representação.”

Augusto explicou que o sistema eleitoral brasileiro é proporcional e que os votos dos eleitores são somados quando dados aos candidatos do mesmo partido ou da mesma federação: “O eleitor tem que ter consciência de quais são os grupos políticos que estão disputando o voto nas eleições proporcionais. Aquela sopinha de letras de maneira nenhuma facilita a compreensão de quais são os partidos que estão disputando.”

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