Eleições

Envolvimento de Moraes e Vorcaro leva candidatos ao Senado a adotarem posição mais crítica ao STF

Com discursos de que "ninguém está acima da lei", políticos gaúchos pressionam o Senado e cobram respostas sobre as denúncias

Nas redes sociais, os candidatos ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul trouxeram o tema à tona
Nas redes sociais, os candidatos ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul trouxeram o tema à tona Foto : Mauro Shaefer

Nas redes sociais, alguns candidatos ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul, até então neutros em relação a críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), mudaram de postura frente ao episódio envolvendo a relação revelada entre os ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Os que já criticavam, principalmente os de ideologia mais á direita, subiram o tom.

O único candidato que não se manifestou a respeito até o fechamento desta matéria foi Milton Cardoso (PSDB).

O que publicaram

Confira abaixo o que os candidatos ao Senado falaram, em ordem alfabética:

Frederico Antunes (PSD)

Em sua publicação nas redes sociais, Frederico Antunes (PSD) afirmou que o STF existe para servir aos brasileiros e à democracia e que ninguém está acima da lei. “Eu fico indignado que, enquanto o povo batalha para pagar as contas, tem ministro do STF tendo que se explicar sobre contrato de R$ 131 milhões com banqueiro preso.”

“Todos precisam responder pelo que fazem. Meu salário como político é pago pelo povo, e o salário do ministro do STF também é pago por mim, por ti, por todos nós. Quem paga tem o direito de cobrar”, afirmou Antunes.

Germano Rigotto (MDB)

Para Germano Rigotto (MDB), as denúncias são graves demais para o Senado continuar fingindo que nada está acontecendo, e que ninguém está acima da lei. “As denúncias sobre o Supremo são gravíssimas e a sociedade exige uma atitude corajosa do Senado, que tem sido omisso.”

Para ele, o país não pode ficar refém do caso Master. “Nenhum político, nenhum ministro está acima da lei. A situação que envolve o ministro Alexandre de Moraes é insustentável. O Senado tem que agir e não fazer como tem feito até agora, que nem instalou a CPI do caso Master”, disse Rigotto.

Manuela d’Ávila (PSol)

Manuela d’Ávila (PSol), em vídeo, afirmou que ninguém está acima da lei, e isso vale para os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. “Vale para qualquer outra autoridade da República. Investigação rigorosa, garantia do direito de defesa, aquilo que os mais pobres, especialmente a população negra, não têm, e punição exemplar para os culpados.”

Marcel van Hattem (Novo)

Marcel van Hattem (Novo), em vídeo, afirmou que protocolou um pedido de impeachment no Senado contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que, segundo ele, não tem condições de continuar chefiando o Ministério Público Federal. “É um absurdo nós termos um procurador-geral da República que está completamente comprometido nas suas relações com Vorcaro, com Alexandre de Moraes, com Andrei Rodrigues.”

“É impossível uma pessoa dessa continuar chefiando o Ministério Público Federal. Mais do que isso, protocolamos também uma notícia-crime contra ele e, além do mais, exigimos de Lula que encaminhe ao Senado da República a sua exoneração”, afirmou Van Hattem.

Paulo Pimenta (PT)

Paulo Pimenta (PT), que é líder do governo na Câmara, publicou um vídeo no qual solicita ao ministro André Mendonça a retirada de todo o sigilo das investigações que envolvem o Banco Master sob sua supervisão, pois, segundo ele, não pode haver vazamento seletivo. “A gente já viu isso na Lava Jato. A gente sabe que isto é uma forma de escolher o que vai ser investigado, o que não vai ser investigado, quem é que deve ser protegido. E o Brasil tem o direito de saber, doa a quem doer.”

Pimenta solicitou que toda a verdade fosse tornada pública, além de afirmar que as instituições têm a obrigação de garantir que denúncias sejam investigadas. “Não dá para proteger alguém só porque é candidato a presidente da República, não dá para esconder outros encontros que o Vorcaro teve.”

Renato Jaguarão (Cidadania)

Em um vídeo publicado no Instagram, Renato Jaguarão (Cidadania) defendeu que haja investigação, transparência, igualdade perante a lei e que o povo brasileiro merece respostas. “Onde está o Senado Federal? O Senado tem a responsabilidade constitucional de fiscalizar e, quando for o caso, processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade.”

“Nenhum ministro do Supremo pode estar acima da lei, nenhum senador pode se omitir e o cidadão não pode aceitar tudo calado. Se houver irregularidades - que tudo aponta que existem muitas -, que se investigue. Se houver crime, que se puna. Chega de privilégios e de silêncio. O povo brasileiro não aguenta mais”, afirmou Jaguarão.

Ubiratan Sanderson (PL)

Ubiratan Sanderson (PL) publicou um vídeo no qual afirma que, como deputado federal, levou junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um pedido para que se instaure um processo administrativo disciplinar. “Pedimos o afastamento imediato deste juiz Alexandre de Moraes, ministro do STF, por envolvimento em uma situação escandalosa que destrói definitivamente a integridade e o nome do Poder Judiciário. Isso não pode ficar assim. Alexandre de Moraes tem que ser imediatamente afastado.”

Na publicação, Sanderson pediu que o CNJ faça uma investigação e o Senado Federal instaure um pedido de impeachment para que Alexandre de Moraes perca imediatamente o cargo. “Sem a blindagem da toga lá do STF, que ele responda criminalmente. Espero que agora o CNJ investigue todas essas situações, todos os fatos em toda a sua extensão.”

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