Correio do Povo: O senhor começou este primeiro dia como governador eleito falando de diferentes questões: segurança, dívida, finanças do Estado, relação com o governo federal. Há como adiantar quais problemas serão atacados por primeiro?
Luciano Zucco: Precisamos tratar o Estado de uma forma transversal. Porque, se o RS não voltar a crescer, e eu disser que vou priorizar esta ou aquela área, estarei falando besteira. Precisamos voltar a crescer, a gerar dinheiro novo. E, neste sentido, serão importantes a renegociação da dívida e a prorrogação do Funrigs (o Fundo do Plano Rio Grande). As áreas específicas, setorizadas, terão ações estratégicas. Como diminuir as filas da saúde, ou a taxa de feminicídios. Mas o crescimento do Estado tem importância única. Com ele é que conseguiremos fazer a diferença.
CP: No primeiro turno as pesquisas indicaram saúde e medo de novas enchentes como preocupações centrais dos eleitores. A resiliência climática será prioridade?
LZ: Com certeza, porque o El Niño, inclusive, está aí. A prioridade número um da resiliência climática é conseguir que as pessoas saiam das áreas de risco. Temos áreas de muito alto risco, alto risco, médio risco e baixo risco. Então, procuraremos prefeitos, Ministério Público, Judiciário, faremos uma força tarefa para que essas famílias entendam a importância de aceitar o auxílio do Estado, seja estadual ou federal, de forma a que possamos cuidar da segurança, da vida delas.
CP: E as obras de proteção?
LZ: Todas as que são mais demoradas, buscaremos agilidade nos licenciamentos ambientais. Mas a questão número um é retirar as pessoas das áreas de risco. Porque casa é mais rápido de construir e porque há recurso do Funrigs (o Fundo do Plano Rio Grande) para isso. E tem o Firece (o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos). Tem áreas que podemos negociar. A prioridade um é cuidar da vida das pessoas. Em paralelo, trataremos de desassoreamento de arroios urbanos, dragagem, limpeza de terrenos e construção de áreas alagáveis controladas. A curto prazo. Médio prazo são as obras que estão travadas. E trabalhar no sentido de integrar o sistema. As cidades vão ter que se comunicar.
CP: O senhor pensa em criar uma secretaria específica para cuidar da resiliência climática?
LZ: A questão de uma secretaria, vou trabalhar com a equipe de transição. Mas já adianto que vamos reduzir a máquina e que as escolhas serão extremamente exigentes. A definição do secretariado tratarei pessoalmente. Vou escutar os demais partidos, mas caberá a mim a definição do secretário, porque quero algo realmente disruptivo. Serão secretários que precisarão do entendimento de que, para mim, a prioridade será a eficiência.
CP: Quem vai ser o secretário da Fazenda?
LZ: Não temos definição ainda.
CP: Não está pensando?
LZ: Temos, logicamente, alguns nomes. Vamos conversar com o grupo. Mas não posso antecipar. Porque pode acontecer de eu convidar alguém e, por exemplo, a pessoa não aceitar. Então, queremos primeiro ter um diálogo franco e definir as secretarias. Para depois decidir os nomes.
CP: A saúde é outra prioridade para os eleitores. Quais serão as primeiras ações?
LZ: Priorizar postos de saúde e também implementar a telemedicina. Para, no momento, ajudar. A telemedicina não resolve todos os problemas. Mas dará início a um grande processo com resultados a médio prazo. Minas Gerais faz isso, Chapecó faz isso, a grande São Paulo está fazendo isso. Também vamos focar nas equipes de saúde da família. Para aumentar a eficácia da prevenção. E, logicamente, vamos seguir com os mutirões.
CP: É possível prometer acabar com as filas da saúde?
LZ: Não dá para fazer essa promessa. Mas entendemos que é possível, reduzir pela metade, pelo menos, até o final do mandato.
CP: Há estratégia já para o segundo turno da campanha nacional no RS?
LZ: Vou a Brasília nesta terça falar com o Flávio, chamarei os dois senadores eleitos, e pretendemos começar a campanha do segundo turno aqui até o final desta semana. Também já vou articular com os deputados eleitos, para que não se desmobilizem.
CP: Só a coligação já quase lhe garante maioria no Legislativo. Pretende aumentar essa base?
LZ: É uma maioria. Elegemos 27. Deveremos ter o presidente da Casa. E não tenho dúvida de que alguns deputados do PSD, do MDB, do PSDB, de forma clara, estarão conosco.
CP: Vocês cogitam questionar o atual sistema de rodízio da presidência da Casa entre as maiores bancadas eleitas? Pergunto porque o PT elegeu a segunda maior bancada e, pelo sistema atual, deverá ocupar a presidência em um dos quatro anos da legislatura.
LZ: Nós não pensamos, eu não estou pensando nisso agora.
CP: Define secretariado antes de dezembro?
LZ: Não tenho dúvida disso. Minha meta é a seguinte: aquela pessoa que entendermos que faz parte da nossa forma de chegar ao crescimento do Estado, ela já pode ir sendo anunciada e começar os trabalhos. Não temos necessidade de esperar.
