O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou pela segunda vez com o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, nesta quarta-feira, 30, segundo informações da CNN Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, acompanhou a conversa, dedicada à crise diplomática com o governo de Javier Milei.
Bitelli apresentou a Lula um balanço da repercussão do caso na Argentina. Na avaliação transmitida ao presidente, o episódio “pegou muito mal para o Milei” no ambiente político local. O embaixador se baseou na reação de instituições e de lideranças argentinas à conduta do chefe de Estado vizinho.
O que motivou o atrito entre Brasil e Argentina
As diferenças ideológicas marcam a relação entre os líderes desde a posse do argentino, mas esta é a primeira vez que o desgaste ganha contornos institucionais, com a convocação do embaixador brasileiro para consultas.
O estopim foi a convenção do Partido Liberal (PL), no último sábado, 25, que confirmou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, em São Paulo. No discurso de quase meia hora, Milei atacou instituições brasileiras e as políticas sociais do governo Lula. Chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”, em referência à decisão que barrou sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Sem nomear o petista, usou os termos “presidiário”, “ladrão” e “lixo socialista”.
A primeira resposta partiu de Mauro Vieira, que qualificou as declarações como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi além e chamou o argentino de “palhaço”. “O palhaço do presidente da Argentina falou do Brasil quando o risco-País da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, afirmou.
Reportagem do jornal La Nación publicada na segunda-feira, 27, aponta que o governo não pretende recuar nem apresentar desculpas oficiais ao Brasil. O embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, também foi chamado a dar explicações no Itamaraty. Na terça-feira, o porta-voz do governo Milei atribuiu o desentendimento a divergências ideológicas e descartou efeitos sobre as relações comerciais entre os dois países.
Questionado sobre o argentino na segunda-feira, Lula respondeu com ironia: “Quem é esse cara?”
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Linha do tempo da crise
Sábado – Durante a convenção nacional do PL, Javier Milei faz uma série de ataques ao governo brasileiro, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Sábado – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classifica as declarações de Milei como "ríspidas, grosseiras e inaceitáveis".
Sábado – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reage e chama Milei de "palhaço", criticando os indicadores econômicos da Argentina.
Domingo – O governo brasileiro convoca o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas, em um gesto de protesto diplomático.
Segunda-feira – Segundo o jornal La Nación, o governo argentino sinaliza que não pretende pedir desculpas nem recuar das declarações feitas por Milei.
Segunda-feira – Lula brinca e diz: "Quem é esse cara?", ao ser questionado sobre Milei.
Terça-feira – O porta-voz do governo argentino afirma que as diferenças são ideológicas e que elas não afetarão as relações comerciais.
Quarta-feira – Lula se encontra com Bitelli pela segunda vez, ao lado de Mauro Vieira.
