Eleições

Marinho acusa Dino de favorecer Lula e cobra reação de Fachin após decisão sobre posts

Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro disse que ministro do STF criou uma "jurisprudência de conveniência"

Rogério Marinho acusa Flávio Dino de favorecer Lula na eleição
Rogério Marinho acusa Flávio Dino de favorecer Lula na eleição Foto : Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/ CP

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), acusou neste domingo, o ministro Flávio Dino, do STF, de criar uma "jurisprudência de conveniência" para favorecer o presidente Lula (PT) na eleição. A manifestação ocorre após Dino liberar publicações que tratam de uma falsa articulação de Flávio para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

"Flávio Dino está atropelando regras de competência, distribuição e a própria Justiça Eleitoral para criar uma jurisprudência de conveniência e permitir a circulação de conteúdo considerado falso para favorecer Lula e seu grupo político na eleição", afirmou Marinho em nota. Dino tomou a decisão em uma reclamação apresentada pelo ator e humorista Antônio Tabet contra determinação do ministro André Mendonça, do TSE, que havia ordenado a remoção de 1.125 publicações que associavam Flávio à proposta.

Precedente sobre liberdade de imprensa

Ao restabelecer as publicações, Dino recorreu a precedente do STF sobre liberdade de imprensa e afirmou que intervenções estatais na divulgação de notícias e opiniões devem ser excepcionais. Segundo o ministro, eventuais abusos da liberdade de expressão devem ser reparados preferencialmente por mecanismos como retificação, direito de resposta ou indenização, e não por censura.

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Marinho alerta sobre "interferência política"

Marinho afirmou que há um "contraste" na posição de Dino por invocar a liberdade de expressão no caso e, segundo o senador, ter estado anteriormente "no centro de controvérsia sobre quebra de sigilo para identificar fonte jornalística de uma foto verdadeira sua". O senador também acusou Dino de burlar o princípio do juiz natural e as regras de distribuição de processos em ações que, segundo ele, interessariam ao PT. "Em plena disputa eleitoral, o STF não pode ser instrumento de interferência política", disse.

Jurídico da campanha fala em "usurpação"

Em nota separada, o jurídico da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão de Dino representa uma "usurpação" da competência constitucional da Justiça Eleitoral. A campanha sustenta que a representação apresentada ao TSE foi submetida à livre distribuição e que a decisão de Mendonça estava amparada nas regras eleitorais para impedir a circulação de conteúdos considerados "notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados". O jurídico também argumentou que a decisão do TSE preservava conteúdos jornalísticos, críticas, sátiras, opiniões políticas e debates sobre religião e política que não apresentassem como verdadeiro o núcleo factual contestado pela campanha.

Marinho cobrou ainda uma reação do presidente do STF, Edson Fachin, e defendeu que o Senado exerça suas competências constitucionais para apurar eventuais crimes de responsabilidade. Segundo o senador, Fachin deve agir para "preservar a normalidade constitucional" e impedir que a Corte seja transformada em um "tribunal de exceção eleitoral".

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