O candidato ao Governo do Estado, Luciano Zucco (PL), defendeu uma mudança na condução econômica do Estado, priorizando a desburocratização e a atração de investimentos. Ele foi o terceiro postulante ao Piratini a ser entrevistado no Programa Acontecendo, apresentado por Lasier Martins, nesta quinta-feira.
Diante de uma situação financeira difícil, no qual o próximo gestor deve receber um déficit de quase R$ 5 bilhões e uma dívida de mais de R$ 100 bilhões com a União, Zucco propõe substituir a atual postura do Estado por uma "agenda de crescimento econômico" focada em infraestrutura, segurança jurídica e simplificação de licenças ambientais.
Para isso, ele aponta a necessidade urgente de destravar investimentos, como por exemplo o da CMPC, em Guaíba. "Olha o exemplo que estamos vendo até hoje em relação a um grande investimento que deve ser feito da CMPC. São R$ 27 bilhões, mais de 15 mil empregos diretos (que estão parados) e ainda assim essa é a mensagem que estamos passando de forma negativa. Então, essa nova agenda de crescimento tem que ser analisada”, instigou o candidato, que também assegurou que manterá benefícios fiscais nos próximos anos para atrair novas empresas e impulsionar a economia antes que as regras da reforma tributária sejam efetivadas.
O candidato também afirmou que não irá aumentar os tributos, e defendeu que a saída para manter o equilíbrio fiscal é a atração de "dinheiro novo", especialmente por meio do turismo, “que hoje representa apenas 4,5% do PIB do RS, enquanto na vizinha Santa Catarina chega a 12%”. Ele defende que o Estado precisa explorar melhor o potencial turístico de regiões como os Pampas, as Missões e a Serra Gaúcha para gerar novas receitas.
Fortalecimento do agro e política de irrigação
O agronegócio é outra prioridade central na agenda econômica de Zucco onde prometeu enfrentar as estiagens, e facilitar a construção de barragens e açudes por meio de licenciamentos simplificados. “O agro é 40% do PIB gaúcho e mais de 70% das nossas exportações. Só que só de milho, castigado pela estiagem, só 5% tem a sua área irrigada. Então, a gente sabe da importância de uma política estadual permanente de irrigação”, ressaltou.
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Educação e qualificação de mão de obra
Ele também acredita que a economia e o ambiente de negócios passam pela qualificação profissional, área em que o candidato vê graves deficiências. Citou dados da Fiergs que apontam que 85% das empresas gaúchas enfrentam dificuldades para encontrar mão de obra qualificada, além de criticar os baixos índices de alfabetização infantil no Estado. "A cada dez crianças gaúchas, só cinco são alfabetizadas na idade certa. O ranking do Rio Grande do Sul é vergonhoso, 25º entre os 27 estados da Federação".
Resiliência climática e proteção contra enchentes
O candidato também não poupou críticas aos atuais governos estadual e federal em relação à reconstrução do Estado após as enchentes. “Só o fundo para a reconstrução tem R$ 6 bilhões e meio e não foi gasto nem 1%. Até agora só tem o anteprojeto de um dique de Eldorado, ou seja, tudo muito lento. Nem o sistema de alerta e monitoramento está funcionando”, salientou.
Segurança pública e combate às facções
Na segurança, o candidato quer focar no combate à violência contra a mulher e no isolamento de lideranças criminosas dentro das prisões para desmantelar o "escritório do crime". Ele propõe criar um departamento exclusivo de proteção às mulheres e ampliar o uso de tornozeleiras eletrônicas.
"Hoje nós temos 17.000 medidas protetivas e só 1.000 tornozeleiras. Então temos que conversar com o Ministério Público, Tribunal de Justiça para poder ampliar (o número de equipamentos)".
Sobre o crime organizado, Zucco promete tolerância zero: "Nós vamos também atacar as facções, isolando lideranças e atacando de forma coordenada com os órgãos de segurança pública".
