A Famurs irá lançar, oficialmente, durante a Assembleia de Verão, em março, a campanha “VIDA: todos por Ela”. A iniciativa visa mobilizar prefeitos gaúchos e reforçar a importância da denúncia e da atuação dos serviços municipais com o objetivo de fortalecer a rede local de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.
A programação contará com um painel sobre o tema com a secretária estadual da Mulher, Fábia Richter. O encontro, que ocorrerá entre os dias 4 e 6, em Torres, também será marcado pela 1ª Famurs Move RS, com corridas, de três e cinco quilômetros, de conscientização e de combate à violência de gênero.
Entenda
O Rio Grande do Sul atinge a marca de 16 feminicídios em 2026. A mais recente vítima é Cássia Nascimento, de 26 anos, assassinada em Cacequi, na Região Central do Estado, pelo ex-companheiro.
O crime ocorreu poucas horas após a jovem buscar a polícia para registrar um boletim de ocorrência e obter uma medida protetiva. A Prefeitura de Cacequi divulgou uma nota lamentando o trágico caso, reafirmando o compromisso com a defesa da vida e da dignidade das mulheres.
Cenário de violência persistente no Estado
O assassinato de Cássia reflete um cenário preocupante de violência contra a mulher. Nos últimos 13 anos, o Estado registrou 1.234 feminicídios, uma média de 91 casos por ano. Essa estatística alarmante e outras informações compõem o relatório preliminar de uma comissão externa da Câmara dos Deputados.
O estudo, impulsionado por um feriado de Páscoa em 2025 que resultou em 11 mortes em 10 dias, revela que 42% das vítimas têm entre 30 e 45 anos, 80,6% são brancas e 84% foram mortas dentro de suas residências. A dependência econômica é apontada como um dos principais fatores que impedem mulheres de romperem o ciclo de violência.
Lacunas nas políticas públicas e 95 propostas de ação
O relatório aponta falhas nas políticas públicas estaduais, com lacunas de proteção em regiões como Litoral e Fronteira Oeste. A deputada federal Fernanda Melchionna (PSol) exemplificou problemas como a falta de tornozeleiras em Santa Maria e a ausência de abrigos regionais no Vale do Rio Pardo.
Em resposta a esse quadro, a deputada federal Maria do Rosário (PT) liderou a proposição de 95 medidas. As ações incluem a implementação de delegacias especializadas em municípios de até 50 mil habitantes e o aumento do percentual destinado ao combate à violência contra a mulher no Fundo Nacional de Segurança Pública.
A secretária estadual da Mulher, Fábia Richter, embora reconheça a gravidade, enfatiza a necessidade de políticas transversais e focadas na identificação precoce de risco, envolvendo diversas secretarias.