O vice-governador e pré-candidato ao Palácio Piratini, Gabriel Souza (MDB), já definiu os quatro principais pontos do seu plano de governo. E o primeiro deles deverá nortear os demais: a responsabilidade fiscal. Segundo Souza, ele dará continuidade ao projeto atual de governo que “recuperou o Estado” e mantém o controle das contas públicas, permitindo que investimentos sejam feitos.
“Atenção, eleitor ou eleitora, quem falar que vai fazer mil e uma coisas precisa dizer de onde vai tirar o dinheiro”, alertou o vice-governador em entrevista ao Esfera Pública, da Rádio Guaíba. Ele é o segundo dos quatro pré-candidatos ao Palácio Piratini – de partidos com representação no Congresso – que serão entrevistados no programa.
O segundo eixo é “cuidar do capital humano”. Nessa área, sua principal aposta é investir em programas educacionais, em especial na primeira infância, evitando, por exemplo, casos de pobreza, doenças graves e subnutrição nessa faixa etária. Outro compromisso assumido é aumentar o número de matrículas em escolas de ensino integral.
O terceiro é liberdade econômica para gerar emprego e renda e, o último, a resiliência climática. É neste ponto que o vice-governador fez uma promessa audaciosa: além de obras de reconstrução e resiliência, Souza afirmou que irá promover “o maior programa da história do país em irrigação e manejo de solo”.
O plano do vice-governador é, em um eventual governo, propor ao novo presidente e ao Congresso a prorrogação do Funrigs – o Fundo de Reconstrução do Estado, para onde os recursos destinados para pagar a dívida do RS com a União são encaminhados, a fim de custear obras de reconstrução e resiliência climática.
“Farei o maior programa da história do país em irrigação e manejo de solo. Vamos melhorar a qualidade do solo gaúcho para ter mais produtividade, e isso vai resolver parte do problema da estiagem. Temos plano, proposta clara, é bom para o Brasil”, declarou Souza.
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A fala emendou em uma crítica aos seus adversários – a mesma utilizada pelo pré-candidato do PSDB ao Palácio Piratini, Marcelo Maranata. Ao afirmar que conseguiria convencer o próximo presidente do país a dar seguimento no projeto de prorrogação do pagamento da dívida, recorreu ao seu posicionamento político.
“Eu consigo conversar com qualquer um que seja eleito (presidente). Seja de esquerda, direita, centro. Isso é o diferencial da nossa pré-candidatura. Os demais candidatos têm dificuldade. A (pré-candidata) da esquerda está mais preocupada em reeleger o seu candidato a presidente, que é o Lula, do que qualquer outra coisa. O outro (pré-candidato) da direita, está mais preocupada em eleger o seu candidato à presidência que é o Bolsonaro, do que qualquer outra coisa. Eu estou preocupado com o Rio Grande do Sul”, afirmou.
Ainda falando sobre resiliência climática, Souza acredita que o Estado está "infinitamente mais preparado" para enfrentar um novo episódio de emergência climática. Ele destacou o uso de radares para identificar novos casos, políticas públicas de realocação de pessoas em áreas de situação de risco e o novo projeto a ser entregue nos próximos dias, pelo governador Eduardo Leite (PSD), de sistema de contenção de cheias para a cidade de Eldorado do Sul.
Alegou, entretanto, que ainda há fatores que precisam avançar – e não só nesse quesito. Na segurança pública, por exemplo, o vice-governador fez outra promessa audaciosa, ser o governador que terá o maior cuidado com as mulheres. O compromisso é decorrência de um dos indicadores de segurança no Rio Grande do Sul que insistem em não diminuir: os feminicídios. Reconhecendo esse problema, o vice prometeu que irá aprimorar políticas públicas já existentes. “Se todos os outros indicadores estão caindo, nesse precisamos trabalhar mais”.
Quem é Gabriel Souza
Formado em Medicina Veterinária, Gabriel Souza possui especialização em gestão pública, mestrado em Direito e, atualmente, faz doutorado com dupla diplomação em Portugal, em administração pública. Foi deputado estadual por dois mandatos – no primeiro, foi líder do governo do ex-governador José Ivo Sartori (MDB) e, no segundo, presidiu por um ano a Assembleia Legislativa.