Das 30 secretarias que compõem o governo do Estado, 12 delas devem sofrer um desfalque até o fim da semana. Isso porque, em função das normas eleitorais, os secretários que desejam disputar um cargo em outubro precisam se desincompatibilizar até seis meses antes do pleito. Ou seja: até 4 de abril, este sábado.
A maioria dos que deixam o Palácio Piratini são deputados que irão concorrer à reeleição e, portanto, retornam à Assembleia Legislativa. Alguns já foram vistos no Palácio Farroupilha na sessão de terça-feira – o que ampliou a confusão de cadeiras no plenário, que ainda não fez as modificações oriundas da janela partidária.
Um dos primeiros a mudar de endereço foi Ernani Polo (PSD). Ele comandou por três anos a secretaria de Desenvolvimento Econômico e, em janeiro, anunciou sua saída para disputar a vaga na majoritária. À época, Ernani tentava articular sua pré-candidatura dentro do seu antigo partido, o PP, mas foi voto vencido.
Os Progressistas decidiram pelo apoio à pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao Piratini, minando as possibilidades de o partido estar na chapa de situação. Com isso, Ernani deixou o PP e, no último domingo, assinou ficha no PSD. Ele irá disputar o cargo de vice-governador em composição liderada pelo atual vice-governador, Gabriel Souza (MDB).
Os imbróglios envolvendo a construção de chapa também fizeram com que Carlos Gomes (Republicanos) deixasse o governo de forma antecipada. Ele chefiava a pasta de Habitação e Regularização Fundiária e deve concorrer à reeleição como deputado federal, mas deixou o Executivo em função do acordo selado entre o PL e o Republicanos. Os partidos estarão juntos na disputa ao governo do Estado.
Esta semana, porém, o desembarque será mais intenso. Inclusive, os deputados estaduais Edivilson Brum (MDB), que comandou a pasta de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação; Gaúcho da Geral (PP), de Esportes e Lazer, e Ronaldo Santini (Podemos), do Turismo, já saíram. Os três devem concorrer à reeleição. Juvir Costella (MDB), de Logística e Transporte, saiu nesta quarta-feira. Ele concorre a deputado federal.
Já Eduardo Loureiro (PDT), do Turismo; Beto Fantinel (MDB), de Desenvolvimento Social; e Gilmar Sossella (PDT), de Trabalho e Desenvolvimento Profissional, retornam à Assembleia até sexta. Eles disputam novamente uma vaga na Casa.
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Entre os secretários sem mandato eletivo, mas que também almejam um lugar no Parlamento gaúcho, estão: Arita Bergmann, da Saúde; Jorge Pozzobom, de Sistemas Penal e Socioeducativo; e Paula Mascarenhas, de Relações Institucionais. Todos concorrem pelo PSD e permanecem no governo até julho, ainda que não no comando das suas secretarias. No caso de Arita e Pozzobom, eles serão assessores na Casa Civil. Paula retorna para o gabinete do governador, como servidora emprestada da UFPel.
Já Fábia Richter – que também não tem mandato eletivo – sai nesta semana para concorrer a deputada federal, também pelo PSD.
Além destes, Simone Stulp, secretária de Inovação, também deixou o governo nesta quinta-feira, mas sem pretensões eleitorais. Ela atuará como professora e decana associada da Escola Politécnica da PUCRS. A posse é em 6 de abril.
Até o momento, o único caso em aberto é o de Fernando Classmann (PSD). Adjunto, ele assumiu como secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano após a saída de Marcelo Caumo, em novembro de 2025. Classmann afirma que recebeu convites para concorrer à uma vaga na Câmara dos Deputados, mas ainda está avaliando.
Apesar do desembarque expressivo, os números poderiam ser maiores, não fosse a reviravolta no cenário nacional. Preterido por Gilberto Kassab para ser o nome do PSD na disputa ao Palácio do Planalto, Eduardo Leite deverá permanecer no cargo até o final do mandato. Caso saísse para concorrer, alguns nomes a mais sairiam com ele.
Após as baixas, mudanças no secretariado são esperadas. Por ora, porém, a tendência é de que os secretários-adjuntos – normalmente o corpo mais técnico das pastas – assumam o comando.