Política

“Já foi tudo vendido”, diz Juliana Brizola sobre Rio Grande do Sul

Críticas ao governo Eduardo Leite marcam discurso da pré-candidata do PDT ao Piratini após primeira reunião de trabalhistas com petistas

Edegar Pretto e Juliana Brizola após reunião entre petistas e trabalhistas nesta sexta
Edegar Pretto e Juliana Brizola após reunião entre petistas e trabalhistas nesta sexta Foto : Débora Beina/Divulgação/CP

A pré-candidata do PDT ao governo do Estado, Juliana Brizola, indicou nesta sexta-feira, 17, os pontos que deverão nortear a largada da nova etapa de sua pré-campanha, após a adesão do PT e de siglas que haviam formado uma coalizão com os petistas para a disputa pelo Piratini. Juliana criticou as privatizações realizadas nas administrações de José Ivo Sartori (MDB) e Eduardo Leite (PSD), os indicadores apresentados pelo RS nas áreas de saúde e educação e o que classificou como baixo desenvolvimento do Estado.

“Aqui, tudo já foi vendido, só sobrou o Banrisul. Então, a próxima governadora vai ter um grande desafio, porque reerguer este Estado não vai ser tarefa fácil. Há muito tempo, infelizmente, o RS não é desenvolvido”, afirmou. Na sequência, citou problemas da saúde e da educação. As falas marcam um reposicionamento público da pré-candidatura trabalhista e do PDT, que, até o início deste mês, integrava o governo de Leite e sua base na Assembleia Legislativa.

As declarações foram feitas após a primeira reunião, na sede do PT estadual, entre os articuladores das pré-campanhas de Juliana e Edegar Pretto (PT). O petista também era pré-candidato ao governo, mas foi obrigado a desistir a partir de uma determinação do comando nacional da sigla, em articulação com grupos de dentro do PT gaúcho, e assumiu na quinta-feira, 16, a vaga de vice na chapa de Juliana. As disputas geraram meses de crise no PT gaúcho, que o PDT agora também faz um esforço público para tentar desfazer, seja demarcando posição contrária a bandeiras da atual administração estadual, seja salientando a postura dos trabalhistas durante as tratativas internas.

Nesta sexta, por exemplo, também no momento em que elogiou Pretto, Juliana repisou críticas à administração Leite. “Por mais que nossos números não se somem, eles vão se aglutinar porque são um número expressivo demais de um pedido de mudança”, considerou. E antes, durante a parte fechada da reunião, o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Júnior, fez referência ao fato de os pedetistas não terem respondido às críticas públicas que receberam dos petistas durante os meses de disputa pela cabeça de chapa. Os petistas, por sua vez, focaram os discursos nas promessas de que vão de fato atuar para garantir que a militância trabalhe por Juliana, usando como argumento central a vinculação entre a pré-candidatura pedetista e a campanha pela reeleição de Lula.

Trabalho de aproximação

Considerada como de aproximação, a primeira reunião de pedetistas e petistas durou cerca de uma hora e meia e teve dois encaminhamentos mais concretos. A definição da realização de um ato político em 1º de maio, a partir das 10h, na sede estadual do PDT, que resultará na apresentação de uma carta aos gaúchos, endossada por todas as siglas que se mantiverem na coalizão ou que ainda venham a integrá-la. E, antes disso, uma primeira reunião de trabalho, em 27 de abril, também na sede do PDT.

A partir de agora, começam a ser definidos roteiros de viagens e debates sobre programa de governo. Os petistas encaminharam também dois documentos ao PDT: o resultante da reunião do diretório que aceitou a aliança, e o que havia sido elaborado em fevereiro com as diretrizes e linha de campanha para Pretto.

Já o pequeno grupo que participou do primeiro encontro nesta sexta deve constituir o chamado núcleo duro da pré-campanha a partir de agora, com alguns ajustes. Por parte do PDT, além de Juliana, participaram seu coordenador de pré-campanha, Vieira da Cunha, o presidente estadual, Romildo Bolzan Júnior, e o deputado estadual Gerson Burmann. Da parte do PT, além de Pretto, o presidente estadual, Valdeci Oliveira, o pré-candidato ao Senado, deputado Paulo Pimenta, além de Carlos Pestana, Cícero Balestro e Júlio Quadros, que integram o grupo interno que trata das articulações eleitorais. Um segundo colegiado, ampliado, deverá ser formado com a participação de representantes de todas as siglas integrantes da aliança.

Após a reunião das duas siglas, o encontro foi aberto a lideranças de outras legendas que haviam formado a coalizão em torno do nome de Pretto. Os presidentes do PCdoB e do PV, que formam federação com o PT, se manifestaram, assim como o presidente do PSB. O PSol, que forma federação com a Rede e tem assento na chapa majoritária, com Manuela D’Ávila ocupando uma das vagas ao Senado, não participou. O partido chegou a ameaçar o lançamento de candidatura própria caso o PDT ficasse com a cabeça da chapa, mas recuou. Sua decisão formal a respeito da permanência na aliança está marcada para quarta-feira, mas é dada como certa, como já evidenciam as manifestações feitas por Manuela nas redes sociais.

Além de PDT, PT, PSol, PSB, PV, PCdoB e Rede, os dirigentes pedetistas informaram que o Avante também decidiu se juntar à coalizão.