Neste ano, os brasileiros vão às urnas para escolher deputados estadual e federal, senadores, governador e o presidente da República. O processo eleitoral, contudo, não se esgota na massa de múltiplos eleitores e candidatos que compõem a cena política. Apenas no Rio Grande do Sul, serão cerca 111 mil mesários envolvidos nas eleições, que, em 2026, têm o primeiro turno marcado para 4 de outubro.
“O mesário é essencial para a eleição”, afirma o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), o desembargador Mario Crespo Brum. “Sendo voluntário facilita para o tribunal e para os interessados. Muita gente pratica esse ato de cidadania e faz questão de participar da eleição”, explica.
Foi pensando em engajar públicos mais jovens na tarefa e valorizar quem já exerce a função, que, desde o final de março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) convoca novos voluntários para as eleições. Por enquanto, há 43% do número necessário de mesários para eleições de 2026 cadastrados no sistema. Restam ainda 47,3 mil vagas em aberto para atingir a meta deste ano, que é 3,29% maior do que em 2024.
No dia da votação, os mesários são responsáveis por todos os trâmites que rondam a efetivação do voto, desde a localização do nome do eleitor no caderno e coleta das assinaturas até a entrega do comprovante de votação. Tudo isso com atenção ao bom funcionamento da seção eleitoral, garantindo a organização das filas.
"É um serviço muito importante”, diz voluntária
“Eu gosto de ser mesária, é um serviço muito importante”, afirma Juliana Godoy, de 31 anos, que é professora da rede pública e atua como voluntária desde 2018. Incentivada pelo marido, a servidora foi mesária pela primeira vez no município de Gravataí e pegou gosto pela função. Hoje, mantém o hábito em Cachoeirinha, onde reside desde 2025.
A professora, que foi voluntária nas últimas eleições suplementares de seu município, diz que a maioria dos amigos se surpreende quando ela afirma gostar de ser mesária. Mas, confessa que não tem planos de deixar o trabalho.
“São várias pessoas que passam pela seção. Algumas chegam mais gentis, conversam. Em Gravataí, eu fiquei anos consecutivos na mesma seção, então as pessoas chegavam e falavam ‘ai, tu aí de novo’. Eu acho isso bem legal, acaba criando essa aproximação”, explica.
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Para ela, um dos grandes atrativos desse serviço são os benefícios, que valem tanto para quem se candidata voluntariamente quanto para quem é convocado. “Isso acaba motivando, incentivando. Tu presta um serviço, mas também ganha algo em troca”, destaca.
A lista de compensações para os mesários inclui uma série de benefícios previstos em lei e regulamentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre eles, destacam-se as folgas. São dois dias de folga – sem prejuízo de remuneração – para cada dia trabalhado nas eleições e para cada dia de treinamento. As datas devem ser combinadas entre os funcionários e os empregadores, e são válidas enquanto o trabalhador mantiver vínculo com a empresa.
Além disso, está previsto auxílio-alimentação de R$ 65,00 por turno trabalhado e horas acadêmicas com possibilidade de validação como atividade extracurricular em universidades conveniadas. Os mesários também podem ter vantagens em concursos públicos, desde que esteja previsto no edital. Em alguns casos, o serviço conta como critério de desempate e, em outros, pode até servir para isenção da taxa de inscrição.
A mesária Juliana aponta, contudo, um outro benefício que vai além do que está previsto no papel: a possibilidade de exercer a cidadania e, principalmente, de aprender com isso. “É uma forma também de estarmos por dentro das questões políticas. Muitas vezes a gente acaba não tendo ciência das coisas que acontecem no nosso município, no nosso Estado e no nosso País”, afirma a professora.
Saiba como se voluntariar
“Toda eleição funciona através de mesários, seja voluntário ou não. Para os mais jovens, é uma forma de ingressar na democracia do país e exercer seu direito de cidadão também”, explica o chefe de cartório substituto da 143ª Zona Eleitoral de Cachoeirinha, Luis Makino.
Para quem quer ser mesário voluntário, o processo é simples. O eleitor pode fazer a sua inscrição pelo aplicativo e-Título ou nos sites dos tribunais regionais eleitorais. Outra possibilidade é entrar em contato diretamente com o cartório eleitoral da sua cidade.
“Prazo para ser mesário a gente não tem, porque a gente faz substituições até no dia da eleição”, afirma Makino. As convocações deverão ser emitidas em meados de julho, quando está prevista a divulgação da lista dos mesários que irão trabalhar. Após a data, contudo, a Justiça Eleitoral continua buscando voluntários para articular possíveis substituições.
Apesar da procura por mesários ser permanente, a Justiça Eleitoral recomenda que a inscrição seja feita o quanto antes, ainda durante o período de campanha, para garantir uma melhor organização das zonas eleitorais.
Estão aptos a se candidatar para a função qualquer eleitor maior de 18 anos em situação regular, exceto candidatos a cargos políticos e seus parentes até o segundo grau, incluindo cônjuges. Membros de diretórios partidários que exerçam função executiva, autoridades públicas, agentes policiais e ocupantes de cargos de comissão também não podem ser mesários. É necessário destacar que apenas a inscrição não garante a convocação para o serviço.
*Sob a supervisão do jornalista Thiago Padilha
