Em 20 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou a primeira reunião ministerial do ano e cobrou “mais rua e menos palácio” de seus ministros e secretários. Desde então, o governo federal teve equipes presentes no Rio Grande do Sul por duas semanas seguidas para anúncios e o próprio chefe de Estado deve visitar o Estado no final do mês. É a nova estratégia de comunicação do Planalto em prática, mirando 2026 e a opinião pública.
Na semana passada, uma comitiva de Brasília, chefiada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), esteve em Porto Alegre para apresentar um balanço das ações do Executivo federal na reconstrução gaúcha após as enchentes.
Uma equipe do governo permaneceu por três dias na superintendência do Banco do Brasil do município para atender demandas de prefeitos relacionadas a acesso a programas do governo federal relacionados à recuperação após as cheias de maio de 2024.
Nesta semana, novamente o governo federal realiza anúncios no RS. Desta vez, longe dos bilhões de reais contabilizados no balanço e, sim, ações de ponta. Nesta quarta-feira, o chefe da Secretaria para Apoio à Reconstrução do RS, Maneco Hassen (PT-RS), cumpriu agendas no interior gaúcho. O presidente da Fundação do Banco do Brasil, Kleytton Morais, visitou a comunidade do bairro Mathias Velho, em Canoas, um dos locais mais atingidos pela catástrofe climática na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Ele, juntamente ao secretário nacional de Economia Solidária, Ary Moraes, cerimônia de assinatura dos projetos para a reconstrução das unidades de triagem atingidas pelas enchentes, com investimento de R$ 15 milhões.
Nesta quinta-feira, a equipe ainda visita um empreendimento de economia solidária de artesanato e confecção e São Leopoldo, uma cooperativa de catadores em Canoas e assina projetos com a Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da região de Porto Alegre (COOTAP) também para a reconstrução das unidades produtivas atingidas pelas enchentes.
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Questionado se uma presença mais frequente no Estado, inclusive para anúncios mais pontuais, faziam parte de um novo perfil de comunicação do governo, o secretário nacional de Economia Solidária confirmou. “Sim, o presidente Lula governa para todos, mas tem prioridade. A gente demonstra isso aqui com o povo do RS; neste caso, os catadores e empreendedores de economia solidária. É um governo que tem lado e está priorizando os mais desassistidos. Não só no RS, mas no país”, disse Ary Moraes.
No final do mês o próprio presidente da República deve estar presencialmente em solo gaúcho. Durante agenda prevista para o dia 24 de fevereiro, Lula deve ir ao município de Rio Grande, na metade Sul do Estado, para anunciar oficialmente a licitação para aquisição de quatro navios Handy, que integram o TP 25, o Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras. O investimento previsto é de mais de R$ 1,5 bilhão.
Essa nova fase da comunicação de Lula foi articulada junto ao novo ministro da Secretaria da Comunicação Social (Secom), o marqueteiro Sidônio Palmeira, buscando recuperar aprovação da opinião pública. Passa também por aquela reunião ministerial de 20 de janeiro, quando cobrou mais eficiência e entrega de ministros e secretários.
Cobrança esta que já antecipa a próxima eleição presidencial: “2026 já começou. Se não por nós, pelos adversários, a eleição já começou. Eles já estão em campanha. A antecipação da campanha para nós é trabalhar e entregar para o povo o que ele precisa. Daqui pra frente é dedicação, mais do que já fizeram”, discursara Lula, diante dos ministros e da imprensa, em coletiva que antecedeu a reunião.