Política

Mendonça chama delegados do caso Master para reunião nesta sexta

Ministro pretende se inteirar da investigação e dos próximos passos

Ministro Mendonça (à direita) pretende se informar do andamento da investigação
Ministro Mendonça (à direita) pretende se informar do andamento da investigação Foto : Luiz Silveira/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, agora relator do caso relacionado ao banco Master, pediu para esta sexta-feira uma reunião com os delegados que participam das investigações. As informações são do site R7.

Mendonça foi sorteado como novo relator depois da situação de Dias Toffoli ficar insustentável à frente da relatoria do caso. Apesar da troca, as medidas adotadas até o momento na ação estão mantidas.

Na reunião, o ministro pretende saber mais sobre o andamento da investigação e os próximos passos dela.

Inicialmente, Toffoli não queria abdicar da função, mas se viu sem saída e atendeu aos apelos dos demais ministros do STF. Os outros magistrados queriam evitar o desgaste institucional provocado pela investigação que sugere o envolvimento de Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O colegiado se reuniu na noite dessa quinta após convocação do presidente do STF, Edson Fachin. Apesar de concordarem que Toffoli deveria sair do caso, eles defenderam, em nota, os atos praticados pelo ministro no processo.

A desistência de Toffoli ocorre um dia após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar a Fachin um relatório sobre dados obtidos no telefone de Vorcaro. Segundo o documento, foram encontradas menções ao nome do então relator — o que motivou a PF a pedir a sua suspeição.

Movimentações

Os movimentos de Toffoli começaram em novembro, quando o relator do caso Master viajou em um jatinho ao lado do advogado de um diretor da instituição para assistir à final da Libertadores da América em Lima. Horas depois, ele se tornaria relator do caso envolvendo o banco e passaria a adotar decisões que reforçaram o controle do processo no STF.

Na mesma semana, ao receber o inquérito do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Toffoli determinou que a investigação permaneceria na Corte e impôs "sigilo absoluto" nos autos. Também ordenou que todos os depoimentos fossem colhidos no próprio STF, presencialmente ou por videoconferência, medida criticada por delegados da Polícia Federal.

Depois, mandou retirar da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS dados bancários e fiscais de Daniel Vorcaro e determinou que relatórios de informações fiscais, bancárias e telemáticas do empresário fossem encaminhados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e não ao colegiado que investigava as fraudes contra aposentados.

Prisão do cunhado de Vorcaro

O caso ganhou novo capítulo em 14 de janeiro, quando a Polícia Federal prendeu o cunhado de Vorcaro em operação autorizada pelo ministro. Na decisão, Toffoli determinou que os itens apreendidos na nova fase da Operação Compliance Zero fossem enviados ao STF "lacrados e acautelados", sem análise prévia, o que provocou reação dos investigadores.

Diante da repercussão, o ministro recuou e autorizou a perícia do material, mas indicou nominalmente os peritos responsáveis pela análise.

Em meio às revelações, Toffoli confirmou, em nota, que é sócio da empresa Maridt e recebeu dividendos de negócios que envolveram fundos ligados ao entorno de Vorcaro, embora tenha negado amizade com o banqueiro ou recebimento de valores dele.