Política

Messias é primeiro nome rejeitado ao STF desde a redemocratização

Última negativa aconteceu em 1894 durante o governo marechal Floriano Peixoto

Messias é primeiro nome rejeitado ao STF desde a redemocratização
Messias é primeiro nome rejeitado ao STF desde a redemocratização Foto : Carlos Moura / Agência Senado / CP

O plenário do Senado rejeitou nesta quarta-feira o nome de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve apenas 34 votos a favor e 42 votos contrários.

Messias foi o nome com maior resistência aberta nos últimos 120 anos para tentar chegar ao STF. A formalização da indicação ocorreu em abril deste ano, mais de quatro meses após Lula ter anunciado a escolha, em novembro de 2025.

Veja abaixo como foram os placares de outras indicações recentes à Corte:

  • - Jorge Messias - 34 a 42
  • - Cristiano Zanin - 58 a 18
  • - Flávio Dino - 47 a 31
  • - André Mendonça - 47 a 32
  • - Kassio Nunes Marques - 57 a 10
  • - Alexandre de Moraes - 55 a 13
  • - Edson Fachin - 52 a 27
  • - Luiz Fux - 68 a 2
  • - Dias Toffoli - 58 a 9
  • - Cármen Lúcia - 55 a 1

Desde que as indicações presidenciais para o Supremo Tribunal Federal (STF) começaram a ser sabatinadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, algo previsto pela Constituição de 1988, todas as 29 foram aprovadas.

Em 1894, no entanto, cinco ministros foram rejeitados pela Casa Alta. O presidente era Floriano Peixoto e a Constituição vigente era a de 1891, a primeira do Brasil como República e a que instituiu o STF.

Segundo o documento, os senadores rejeitavam ou aprovavam as indicações emitindo um parecer, sem a publicidade das sabatinas atuais. Era exigido que os ministros tivessem 'notável saber', sem especificar uma área de conhecimento, o que ocasionou a sugestão de pessoas sem formação jurídica.

O exemplo mais conhecido é o do médico Cândido Barata Ribeiro, que atuou por alguns meses como ministro do Supremo antes de ser rejeitado pelo Senado.

Em trecho de documento, a Comissão de Justiça e Legislação do Senado à época enumera as razões para a decisão e diz que, ainda que fosse possível legitimar a nomeação de alguém não diplomado, seria preciso que a pessoa tivesse 'notável saber jurídico, e não de quem nunca gozou dessa reputação nem revelou nem sequer medíocre instrução em jurisprudência'.

Segundo os senadores, o médico, que havia sido prefeito do Distrito Federal, 'revelou não só ignorância do direito, mas até uma grande falta de senso jurídico, como é notório e evidencia-se da discussão havida no Senado de diversos atos seus praticados na qualidade de prefeito desta cidade e pelo Senado rejeitados'.

Depois de Barata Ribeiro, o presidente Floriano Peixoto indicou mais 11 ministros e quatro deles foram reprovados: o general Ewerton Quadros, que teve papel importante no fim da Revolução Federalista; o general Inocêncio Galvão de Queiroz; Demóstenes Lobo, diretor-geral dos Correios; e o subprocurador da República Antônio Seve Navarro.

Galvão de Queiroz deixou de ser aprovado por ser militar; Ewerton Quadros porque, apesar de sua formação em Direito, não tinha uma 'vida de jurisconsulta'. Navarro pode ter sido reprovado por critérios políticos e Demóstenes Lobo sofreu 'graves acusações' no Senado e deixou de ser aceito por dois votos.