Está mantida a pré-candidatura de Edegar Pretto ao governo do Estado, sem chance de recuo. A garantia foi dada na tarde desta terça-feira, 31, pelo próprio Pretto, após novas reuniões em Porto Alegre e Brasília. “Está mantida nossa pré-candidatura, consolidada. O PT gaúcho reafirma isto. Não tive nenhum pedido de recuo, ninguém me pediu para parar.”
Questionado sobre se ainda existe a possibilidade de, até as convenções, quando as candidaturas são oficializadas, haver uma alteração da decisão, de forma a que o PT abra mão da candidatura própria para apoiar Juliana Brizola, do PDT, Pretto respondeu que não trabalha em nenhuma hipótese com esse cenário.
As declarações do petista ocorrem após a última reunião da executiva estadual do partido, na manhã desta terça-feira, realizada depois de Pretto e o presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, se encontrarem, na segunda-feira, em Brasília, com o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, para mais uma vez tratarem da situação no RS.
Os gaúchos partiram às pressas para a capital federal após uma convocação da direção nacional, no domingo, que deixou em ebulição a sigla no RS porque incluía uma reunião com a participação do presidente Lula. O temor era de que houvesse intervenção expressa de Lula pelo apoio ao PDT. Previsto para ocorrer pela manhã, no Palácio do Alvorada, o encontro acabou transferido para a tarde, na sede do partido em Brasília, e sem Lula. Na conversa, Edinho repetiu os argumentos em favor do apoio ao PDT no RS. Mas, como ele mesmo já havia antecipado ao Correio do Povo no final de semana, indicou que a direção nacional não pretende arriscar uma intervenção aberta no diretório do Estado.
“Em nenhum momento o Edinho falou em intervenção. Ele também garantiu que nenhuma decisão será tomada de cima para baixo. Disse que seguem as negociações a nível nacional e nos recomendou que mantivesse aberto o diálogo com o PDT. Aqui, se houver qualquer conversa na sequência, será após a Páscoa”, disse Pretto, ressalvando que a manutenção do diálogo não inclui “obviamente” o PT abrir mão da candidatura.
Os trabalhistas haviam dado uma espécie de ultimato ao PT, estabelecendo a data de 30 de março para que o partido desistisse de disputar o Piratini e declarasse apoio à Juliana.
Entenda a crise no PT gaúcho
O anúncio de que Edegar Pretto segue pré-candidato ao governo do Estado deve dar um desfecho a meses de uma crise desencadeada pelo descompasso entre o comando nacional do PT e o diretório gaúcho.
No RS, os petistas decidiram ainda no ano passado lançar a pré-candidatura de Pretto para concorrer ao Palácio Piratini. As negociações envolveram também o fechamento de uma coalizão entre as frentes partidárias formadas pelo PT/PCdoB/PV e PSol/Rede, e a definição das duas pré-candidaturas ao Senado: a do deputado federal Paulo Pimenta (PT) e a da ex-deputada Manuela D’Ávila (PSol). No mês de março, o PSB oficializou seu ingresso na frente.
O comando do PT em Brasília, contudo, negociou, também desde o ano passado, um acordo com o PDT, que entende como prioritário para a derrota do campo da direita na eleição nacional, e insistiu em que ele deveria se sobrepor às decisões nos estados.
Regionalmente, os trabalhistas não participaram da formação da aliança encabeçada pelo PT gaúcho. Mas, em função da garantia dada por Lula e a direção nacional petista, contavam que, à revelia da decisão local, Pretto abrisse mão da pré-candidatura nesta semana e, além do PT, os demais partidos de sua coligação também garantissem apoio a Juliana, mesmo sem negociações diretas