Lideranças da oposição cobraram neste sábado o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres. O registro foi enviado em 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.
Ao jornal O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.
Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.
Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na última terça-feira. Na ocasião, a Corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. "Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do STF", disse Van Hattem.
"O Gonet mentiu, disse que não tinha proximidade com o Vorcaro e claramente não só tinha proximidade, como tem, como dividiu o charuto com ele", prossegue o deputado. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da Procuradoria-Geral da República."
Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades em abril de 2024. O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "A Polícia Federal (PF) achou a foto no celular do banqueiro. Gonet ao lado de Vorcaro, em Londres. Charuto na mão, uísque na mesa. O advogado do Master mandou a imagem com a frase: "PG me mandou"." Viana continuou: "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio."
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Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no País, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum". "Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.
"Vorcaro é apontado pelas investigações como o centro de uma extensa rede de contatos, favores e aproximações com integrantes do sistema de Justiça e da República. Por isso, essa fotografia não pode ser tratada como uma simples coincidência social: ela simboliza a promiscuidade entre poder econômico e poder institucional que destrói a confiança da sociedade", continuou.
Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse, também em uma rede social. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: "Gonet você fracassou"", escreveu.
Gilmar Mendes defende Gonet
Na última quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do STF, saiu em defesa de Gonet, após conversas reveladas pelo Estadão mostrarem menções de Vorcaro ao procurador-geral da República.
Na sessão de terça-feira, o ministro afirmou que Gonet "teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam". "O levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método". "Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral", disse, em embate com o colega de Corte André Mendonça.