Política

Para aliados de Bolsonaro, investigação da PF sobre tentativa de golpe é 'cortina de fumaça'

Ação prendeu cinco suspeitos de tramar plano para matar Lula, Alckmin e Moraes

Aliados de Bolsonaro criticaram Operação da Polícia Federal
Aliados de Bolsonaro criticaram Operação da Polícia Federal Foto : Nelson Almeida / AFP / CP

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usaram as redes sociais na manhã desta terça-feira, 19, para afirmar que a Operação Contragolpe da Polícia Federal (PF), que prendeu cinco suspeitos de tentativa de golpe contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é uma 'cortina de fumaça' para tentar associar uma suposta participação de Jair Bolsonaro (PL) na trama golpista.

O plano, segundo as investigações, envolvia o assassinato de Lula, de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para ser executado em 15 de dezembro de 2022.

O filho do ex-presidente e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escreveu em seu perfil do X (antigo Twitter) que 'por mais que seja repugnante pensar em matar alguém, isso não é crime', afirmando na sequência que é autor de um projeto de lei que criminaliza ato preparatório de crimes como esse. 'Decisões judiciais sem amparo legal são repugnantes e antidemocráticas', escreveu o senador.

Quer dizer que, segundo a imprensa, um grupo de 5 pessoas tinha um plano pra matar autoridades e, na sequência, eles criariam um “gabinete de crise” integrado por eles mesmos para dar ordens ao Brasil e todos cumpririam???
Por mais que seja repugnante pensar em matar alguém, isso…

— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) November 19, 2024

Respondendo à postagem, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) afirmou que 'já não seguem a lei faz tempo', sem citar nomes, e disse que a operação da PF se trata de 'cortina de fumaça'. 'E pior é quererem ver a montagem de cortinas de fumaça para tentar ligar isso ao nosso presidente. É repugnante', escreveu, se referindo ao ex-presidente.

A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) compartilhou a publicação de Flávio, mencionando um 'ensinamento' do 'professor' Olavo de Carvalho, o guru do bolsonarismo: 'Ou vocês prendem os comunistas pelos crimes que eles cometeram ou eles o prenderão pelos crimes que vocês não cometeram'.

Outro filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) qualificou a prisão dos suspeitos de golpe como 'guerra de narrativas', citando o atentado a bombas da semana passada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que chamou de 'exploração política do cadáver na Praça dos Três Poderes', a invasão golpista de 8 de Janeiro, e as investigações que miram Bolsonaro, como o caso das joias árabes e do cartão de vacina, como se fossem todos frutos de ataques 'mirando a direita'. 'O povo não aguenta mais esta guerra de narrativas sempre mirando na direita. 2026 haverá respostas, tal qual EUA em 2024', afirmou o filho de Bolsonaro - que segue inelegível até 2030.

"A exploração política do cadáver da praça dos Três Poderes", do 8/JAN, dos presentes árabes, do cartão de vacina, até do passeio no mar perto de baleia e etc

O povo não aguenta mais esta guerra de narrativas sempre mirando na direita. 2026 haverá respostas, tal qual EUA em 2024 pic.twitter.com/PHb07Ska09

— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) November 19, 2024

O advogado do ex-presidente, Fábio Wajngarten, compartilhou uma foto do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, em entrevista a jornalistas, com a manchete 'Ministro de Lula: Operação da PF envolve núcleo de poder de Bolsonaro', afirmando que a fala é absolutamente inconsequente'. 'Como o governo não tem nada para mostrar nem falar, voltamos para a pauta do governo anterior', escreveu.

É absolutamente INCONSEQUENTE essa fala do Ministro Analógico.
Como o Governo não tem nada para mostrar nem falar, voltamos para a pauta do Governo anterior.
Além de tudo, MENTE. pic.twitter.com/MGOr5cSVIT

— Fabio Wajngarten (@fabiowoficial) November 19, 2024

Os presos nesta terça-feira foram Mário Fernandes, general reformado que foi secretário-executivo da Presidência da República no governo de Bolsonaro e ex-assessor do ex-ministro da Saúde e deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), um policial federal e três 'kids pretos', que são militares do Comando de Operações Especiais do Exército, e um policial federal.

Enquanto as redes de governistas seguem tomadas pelo assunto, aliados do ex-presidente tentaram mudar o foco e não repercutir o caso. No lugar, os temas principais são pautas econômicas atacando o governo Lula, supostas isenções fiscais envolvendo empresa do influenciador Felipe Neto, um sonhado retorno de Bolsonaro, inelegível até 2030, à Presidência em 2026 após Donald Trump ser eleito nos Estados Unidos, e o desempenho do Brasil no G20.

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Entenda o caso

As prisões na manhã desta terça-feira fazem parte da Operação Contragolpe, que identificou um 'detalhado planejamento operacional' chamado 'Punhal Verde e Amarelo', previsto para ser executado em 15 de dezembro de 2022, com o assassinato de Lula e de Alckmin. O plano também incluía a execução de Moraes, que era monitorado continuamente, caso o golpe fosse consumado.

A operação investiga supostos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. O Exército acompanhou as diligências em razão da participação de militares na quadrilha sob investigação, que foram realizadas no Rio de Janeiro, Goiás, Amazonas e Distrito Federal.

O planejamento elaborado pelos investigados detalhava os recursos humanos e bélicos necessários para o desencadeamento das ações, com uso de técnicas operacionais militares avançadas, além de posterior instituição de um 'Gabinete Institucional de Gestão de Crise', a ser integrado pelos próprios investigados para o gerenciamento de conflitos institucionais originados em decorrência das ações', indicou a PF.