Política

PF indicia desembargadores e juízes do Maranhão por venda de sentenças

Foram indiciadas 23 pessoas pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação 18 Minutos, que investigou a suspeita de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), e indiciou 23 pessoas, entre desembargadores, juízes, advogados e servidores da Corte estadual, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O relatório final da investigação, de 174 páginas, foi enviado na quinta-feira, 6, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância competente para julgar desembargadores. O relator do caso é o ministro João Otávio de Noronha.

A PF apontou no relatório o envolvimento dos magistrados em fraudes para a liberação de alvarás judiciais por meio da manipulação da distribuição de processos. Os investigadores dividiram os indiciados em três núcleos: o "judicial", formado pelos magistrados e por seus auxiliares; o "causídico", composto por advogados que agiriam em conluio com juízes e desembargadores para conseguir decisões; e o "operacional", responsável pela lavagem do dinheiro obtido nas negociações.

"Divisão de tarefas"

"A investigação identificou a existência de uma organização criminosa formada pelos núcleos judicial, causídico e operacional, em que magistrados, advogados e terceiros atuavam de forma estruturalmente ordenada, com clara divisão de tarefas, com o objetivo de obter vantagens de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais, dentre as quais, corrupção e lavagem de dinheiro", afirma a PF.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.