Política

PF suspeita que ao menos R$ 750 mil de recursos públicos abasteceram produtora de filme sobre Bolsonaro

Investigação aponta desvio para produtora de "Dark Horse", com suspeitas sobre Mario Frias e outros envolvidos

Filme "Dark Horse" narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro
Filme "Dark Horse" narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro Foto : Instagram / Reprodução / CP

A Polícia Federal (PF) suspeita que pelo menos R$ 750 mil provenientes de recursos públicos foram desviados para abastecer a produtora responsável pelo filme "Dark Horse", que narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As informações foram apresentadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino para fundamentar a operação deflagrada nesta quinta-feira, 10, contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros alvos suspeitos de envolvimento nos desvios.

Inicialmente, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou publicamente que todos os recursos para o filme eram privados. Na mesma época, ele admitiu ter pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o projeto.

As suspeitas da Polícia Federal, no entanto, indicam que o filme pode ter se beneficiado também de desvios de recursos públicos.

Defesa da produtora não responde

A defesa de Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment Ltda., produtora do filme, foi procurada pela reportagem. No entanto, até o momento, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações.

Foco da operação e inquéritos paralelos

Essa operação atual da Polícia Federal teve como foco os repasses de emendas e recursos públicos a empresas ligadas à produtora do filme.

Paralelamente, Flávio Bolsonaro e seu pedido a Vorcaro estão sob investigação em um outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça no caso Master.

O Instituto Conhecer Brasil e as emendas

A Polícia Federal indica que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) é a principal entidade captadora de recursos na rede investigada. Isso se deve ao fato de ter firmado contrato com a Prefeitura de São Paulo e recebido R$ 2 milhões em emendas parlamentares de Mario Frias.

O instituto pertence a Karina Gama, que também é proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

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Movimentação financeira do ICB

De acordo com as investigações, o ICB movimentou R$ 83 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024.

Parte desses recursos foi repassada para pessoas ligadas ao próprio Mario Frias, em um processo que a Polícia Federal vê como uma "devolução" de recursos públicos investigados.

Conexão com o filme "Dark Horse"

A investigação analisou parte do caminho do dinheiro até o filme "Dark Horse". Detectou-se que o ICB realizou pagamentos a duas editoras.

Essas editoras, por sua vez, são ligadas a uma terceira empresa que repassou valores à produtora Go Up.

"Tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil de Heric Dias enviou R$ 750 mil para a Go Up Entertainment", afirmou a Polícia Federal.

O valor é quase que exatamente correspondente aos R$ 700 mil que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB. Este montante foi destinado no escopo do Termo de Fomento n.º 971232, cujo objeto somente teve tentativas de execução em 2026, portanto, após o período ora tratado.

Suspeitas da PF sobre Mario Frias

A Polícia afirma que os elementos apurados ainda não comprovam a origem direta entre os recursos públicos recebidos pelo ICB e os repasses indiretos à produtora. No entanto, a proximidade temporal indica relevância nas operações financeiras.

A Polícia Federal também aponta suspeitas em pagamentos de Mario Frias à produtora, por serem de valor elevado. Segundo a PF, o deputado não tinha lastro para realizar esses repasses.

Movimentações da Go Up Entertainment

"A Go Up Entertainment, por sua vez, movimentou R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025", afirmou a Polícia Federal.

Nesse período, a produtora recebeu recursos de diversos remetentes, incluindo a NTT Brasil (R$ 750 mil) e o próprio deputado federal Mário Frias (R$ 645,4 mil). As filmagens da cinebiografia ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, coincidindo temporalmente com as movimentações financeiras analisadas.