Política

Pouco espaço de Gabriel volta a gerar desconforto no MDB

Vice, que preside o Conselho do Plano Rio Grande, fez breves intervenções no evento do governo sobre ações realizadas após dois anos da tragédia climática

Gabriel Souza (esq.) e Eduardo Leite (centro), durante apresentação nesta sexta-feira
Gabriel Souza (esq.) e Eduardo Leite (centro), durante apresentação nesta sexta-feira Foto : Alina Souza

Causou novo desconforto entre articuladores do MDB o formato adotado pelo governo do Estado para o evento de apresentação das ações do Executivo após dois anos das enchentes de 2024, realizado na manhã desta sexta-feira, 24. Os emedebistas vêm apresentando insatisfação a respeito do pouco espaço dado ao vice-governador, Gabriel Souza, na divulgação de entregas da administração estadual, mesmo que ele seja o pré-candidato do partido e do Executivo à sucessão do governador Eduardo Leite (PSD).

Nesta sexta, o vice, que também preside o Conselho do Plano Rio Grande, acompanhou as duas horas da apresentação, e da coletiva que a sucedeu, ao lado do governador. Mas só foi convidado a falar três minutos antes de a exposição terminar. Depois, durante a coletiva, participou das respostas a dois questionamentos, um sobre a Ponte dos Vales e outro sobre as tratativas para renegociação de dívidas de produtores gaúchos. Somadas, as três intervenções totalizaram pouco mais de cinco minutos.

O evento, que se estendeu das 9h30 até quase o meio-dia, teve, na abertura, a transmissão de um vídeo gravado com pronunciamento de Leite. Na sequência, o governador conduziu também toda a exposição ao vivo, pontuada por intervenções de integrantes do Executivo e especialistas. Nos cinco minutos finais, após a conclusão da coletiva, Leite fez uma manifestação que tinha por objetivo assinalar que o Estado conseguiu, na avaliação do Executivo, responder bem a dois eventos extraordinários e não previstos: a tragédia climática de 2024 e, antes dela, a pandemia de coronavírus que teve início em 2020. Mas as falas acabaram aumentando o mal-estar de parte do MDB.

Porque, nela, o governador fez referências pouco favoráveis à situação do Estado quando assumiu o primeiro mandato, em 2019, citando expressamente atraso nos salários de servidores; suspensão, por liminar, do pagamento da dívida com a União; “caos” na segurança pública; capacidade de “voltar a recuperar escolas que estavam completamente defasadas” e o fato de que, “até um ano antes da pandemia, o Estado estava atrasando pagamentos a hospitais”. O governo anterior era comandado pelo emedebista José Ivo Sartori.

“Já imaginaram se o Estado estivesse enfrentando essa realidade (enchentes e coronavírus) alguns anos antes, com total incapacidade de se financiar, de pagar seus salários, de fazer investimentos?”, questionou Leite. Em uma das partes do pronunciamento, contudo, ele citou positivamente à administração anterior. “Que bom que, lá no início, em 2019, e na esteira do que vinha sendo feito também pelo governador Sartori, que me antecedeu, e vinha discutindo os problemas crônicos das contas do Estado, a gente avançou muito na reforma da máquina pública do RS”, considerou.