O PSol, que ocupa uma das vagas ao Senado na coalizão encabeçada pelo PT para a disputa estadual, decidiu atuar em bloco, e publicamente, em defesa da manutenção da pré-candidatura de Edegar Pretto (PT) ao governo do Estado. Os petistas do RS vivem hoje uma crise porque a direção nacional pressiona o diretório gaúcho e ameaça uma intervenção caso a sigla não abra mão da candidatura própria para apoiar a pré-candidatura de Juliana Brizola, do PDT.
Nesta segunda-feira, 06, o vereador Pedro Ruas, que deverá representar o PSol na eleição ao Piratini se Pretto for obrigado a desistir, disse que a executiva estadual da legenda já referendou a posição de candidatura própria caso Pretto seja retirado da corrida. Internamente, o PSol estuda o nome de Ruas desde que a crise escalou, conforme adiantado pelo Correio do Povo em 20 de março.
“Nossa posição é apoiar o Edegar até o último segundo. Ele é o nosso candidato. Mas se cometerem essa violência, vamos ter candidatura. Quero assinalar ainda que o RS sem uma candidatura de esquerda, nunca houve. Respeitamos o PDT, respeitamos o entendimento da direção nacional do PT, mas não vamos apoiar e integrar uma chapa que tenha o PDT na cabeça”, assinalou o vereador.
Segundo ele, as participações do PDT nos governos de José Ivo Sartori (MDB) e Eduardo Leite (PSD) evidenciam que a sigla hoje não integra o campo da esquerda. Outra queixa do PSol é o fato de que os trabalhistas não participaram de nenhum dos debates e articulações realizados durante meses para a formação da aliança entre as federações PT/PCdoB/PV e PSol/Rede. Recentemente, o PSB passou a integrar também a coalizão. “Nosso acordo é apoiar Edegar Pretto. Nossa aliança não caiu do céu. Ficamos aí um ano debatendo e chega alguém e diz: ‘seguinte, tira esse candidato, tira esse partido, e vamos colocar outro.’ E o outro vem do governo Leite. Não mesmo. Não é assim que se constrói uma aliança, e todos os envolvidos sabem, ou deveriam saber disso. Não vamos aceitar.”
A ofensiva pública do PSol foi desencadeada na quinta-feira, 2, após, na quarta, o ex-deputado Vieira da Cunha, coordenador da campanha de Juliana, dizer que o partido tinha o direito de lançar candidatura própria, caso entendesse ser este seu melhor caminho no RS, e defender que a decisão sobre a retirada da pré-candidatura petista cabe à instância nacional.
O primeiro a se manifestar foi o presidente do PSol de Porto Alegre e um dos principais articuladores do partido no RS, o vereador Roberto Robaina. Nas redes, Robaina assinalou que parte dos deputados pedetistas não fará campanha para Lula. Ao Correio do Povo, considerou que, ao defender uma intervenção da direção nacional, Vieira não estava em busca de uma aliança, mas sim de uma imposição, e que esta acabaria servindo à pré-candidatura governista na corrida pela sucessão de Eduardo Leite. “O PDT está sendo funcional ao vice-governador Gabriel Souza”, avaliou. Ainda na quinta, Ruas divulgou um vídeo afirmando que o PSol não abre mão da aliança já formada.
Na sexta-feira, 3, foi a vez de a deputada federal Fernanda Melchionna publicar nas redes trecho de uma entrevista com o jornalista Breno Altman, na qual assinala a participação dos trabalhistas na administração Leite e ressalta que o PDT “não tem nenhum acúmulo programático construído.” Na sequência, a parlamentar considera que a imposição da direção nacional petista, “sem espaço para debate e sem estabilidade para a construção de uma alternativa”, já é uma intervenção. “Vamos ter que apresentar uma alternativa. Temos bons nomes, como o companheiro Pedro Ruas”, conclui.
Nesta segunda, Robaina está na coordenação da organização da plenária que os partidos integrantes da aliança em torno de Pretto realizam no final da tarde, em mais um ato para reforçar sua inconformidade com a intervenção do comando nacional petista.