O governo brasileiro não enviará representantes para discursar nas audiências públicas realizadas em Washington, a partir desta segunda-feira, 6, que discutem a proposta dos Estados Unidos de impor novas tarifas a produtos brasileiros.
Apesar disso, o Ministério das Relações Exteriores acompanhará os debates presencialmente por meio de um representante da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. As informações são do Portal R7.
As audiências ocorrem na sede da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos e reúnem representantes do setor produtivo dos dois países, além de autoridades e políticos, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo apuração do R7, o Itamaraty considera que as audiências são voltadas a empresários e à sociedade civil, sem caráter de negociação diplomática. Por isso, o governo brasileiro decidiu manter as tratativas com os Estados Unidos exclusivamente pelos canais oficiais.
Na última quinta-feira, 2, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro ocorreu após o envio de uma carta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), em uma tentativa de abrir diálogo sobre a proposta de novas tarifas.
Ainda de acordo com o R7, a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, deve acompanhar a audiência na condição de observadora.
Entenda o caso
A proposta do governo de Donald Trump prevê a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. O mecanismo permite a adoção de medidas contra países considerados responsáveis por práticas comerciais classificadas como desleais.
Em junho, o governo norte-americano apontou políticas brasileiras que, segundo sua avaliação, prejudicam o comércio dos EUA.
Entre os pontos citados estão um suposto favorecimento comercial a México e Índia, a concorrência do Pix com empresas norte-americanas de meios de pagamento, além de críticas às políticas de combate à corrupção, ao desmatamento, à pirataria e à falta de reciprocidade nas exportações de etanol.
O Brasil tem até o dia 15 de julho para negociar com o governo norte-americano antes da possível entrada em vigor das novas tarifas.