Em um movimento estratégico para garantir a continuidade da agenda econômica em pleno ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou Dario Durigan como o novo ministro da Fazenda. Ele substitui Fernando Haddad, que deixa a pasta para disputar o governo de São Paulo.
Conhecido nos bastidores de Brasília como o "CEO" da Fazenda, Durigan não é um estranho à engrenagem do poder. Como secretário-executivo (o "número 2") desde junho de 2023, ele foi o arquiteto operacional das principais vitórias do governo no Congresso, incluindo o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária.
Perfil: o técnico de confiança
Com 41 anos, ele possui um perfil que mistura a rigidez técnica com a habilidade de negociação política. Advogado formado pela USP com mestrado em Direito pela UnB, sua trajetória foge ao figurino clássico de economistas de carreira.
Experiência no setor público: atuou na Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Dilma e foi assessor especial de Haddad na Prefeitura de São Paulo (2015-2016).
Setor privado: Antes de retornar ao governo em 2023, foi diretor de Políticas Públicas do WhatsApp na Meta (2020-2023), onde lidou com temas complexos de regulação e combate à desinformação.
Governança: presidiu o Conselho de Administração do Banco do Brasil e integrou o conselho fiscal da Vale S/A.
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Desafios imediatos: o "orçamento apertado"
Durigan assume a cadeira mais importante da Esplanada em um momento de "céu nublado" para as contas públicas. Diferentemente de Haddad, que focou na formulação de grandes reformas, o novo ministro terá a missão de executar e manter o equilíbrio.
Entre as prioridades que encontrará na mesa estão:
Regulamentação da Reforma Tributária: finalizar o desenho do Imposto Seletivo e das alíquotas do IVA.
Controle de gastos: gerenciar o Orçamento de 2026, pressionado por despesas obrigatórias crescentes e pela volatilidade externa (petróleo e juros).
Articulação Política: manter o diálogo com um Congresso que, em ano de eleição, tende a evitar medidas de ajuste impopulares.
O que o mercado espera?
Analistas apontam que a escolha de Durigan é um sinal de previsibilidade. Por já ser o mentor operacional da pasta, não se espera uma mudança de rota (o chamado "cavalo de pau") na política econômica. Ele é visto como alguém comprometido com o arcabouço fiscal, mas com sensibilidade social para os programas do governo.
A transição ocorre em um cenário de tensão externa, com conflitos globais pressionando a inflação, o que exigirá do novo ministro uma interlocução fina com o Banco Central, agora sob a liderança de Gabriel Galípolo — seu antecessor na secretaria-executiva.