Política

Sem Tarcísio, Romeu Zema prevê direita pulverizada em 2026

Governador mineiro afirma que paulista não será candidato e que aposta de Bolsonaro é ter vários governadores concorrendo à presidência da República pelo campo da direita

Romeu Zema cumpriu agenda em Porto Alegre nesta sexta-feira
Romeu Zema cumpriu agenda em Porto Alegre nesta sexta-feira Foto : RIcardo Giusti

Um dos principais cotados para ser o herdeiro eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) não deve se candidatar a presidente da República, segundo seu aliado e governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O mineiro está em Porto Alegre e concedeu entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira.

"O cenário atual indica que teremos alguns candidatos pela direita. Eu mesmo estive com o (ex) presidente Bolsonaro há cerca de 60 dias, na minha última reunião com ele em Brasília. Ele próprio é um entusiasta de vários candidatos pela direita. O que faz sentido. Os governadores bem avaliados de Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Minas, até mesmo São Paulo, terão mais votos em seus respectivos estados do que qualquer outro da direita. E, com toda a certeza, conseguirão migrar seus votos no segundo turno para o candidato da direita. É um raciocínio que faz sentido", disse Zema.

Zema (MG), do Novo, Tarcísio (SP), do Republicanos, Ronaldo Caiado (GO), do União Brasil, e Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), do PSD, ou já foram lançados como pré-candidatos por seus respectivos partidos, ou têm demonstrado a intenção de concorrer.

"Com relação ao governador Tarcísio, ele mesmo me falou que é candidato à reeleição em São Paulo. E faz todo sentido. Ele tem 70%, 80% de chances de ser eleito em São Paulo. Para qualquer candidato a presidente essa probabilidade cai para 30%, 40%. E, além disso, ele abriria um flanco para que a oposição a ele ganhasse o governo de São Paulo, principalmente com o (vice-presidente Geraldo) Alckmin", afirmou o governador mineiro.

Desta forma, e buscando fazer com que seu partido supere a cláusula de barreira, Zema deve manter sua pré-candidatura. Questionado pelo Correio do Povo, ele praticamente descartou uma aliança com Leite e o PSD no primeiro turno.

"A posição do partido Novo e a minha também é de que levaremos nossa pré-candidatura até o final da campanha. O partido Novo quer crescer. No ano que vem, nossa meta é elegermos o maior número possível de deputados federais. Para conseguir esse avanço, tem mais chance se tiver um candidato a presidente", respondeu, sem citar diretamente o gaúcho.

Indulto a Bolsonaro

Se eleito presidente, Zema concederá indulto a Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. "Certamente. Precisamos pacificar o Brasil. Sou totalmente favorável. O Brasil já deu anistia para assassino, para assaltante de banco, para sequestrador, não vai dar anistia para pixador com batom?", questionou, ao ser questionado pelo CP sobre o tema.

"Trump errou com tarifaço"

Zema também comentou sobre as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros.

"Acho que o Trump errou em retaliar o Brasil. Se ele não concorda, deveria ter retaliado as pessoas com quem ele não concorda. E o presidente (Lula) errou tanto quanto em ficar criticando os Estados Unidos e se aliando a países e ditadores antiamericanos. Assim que o tarifaço foi feito, o presidente (Lula) deveria ter ido para Washington (capital dos EUA) imediatamente para dialogar, o que não fez até hoje", disse o governador.

"Momento semelhante à pré-recessão de 2015"

Zema ainda criticou o governo Lula, a gestão econômica do Palácio do Planalto e disse que a economia deverá entrar em recessão em breve.

"O cenário vai se alterar ao longo dos meses que temos pela frente. Esse aumento da popularidade do presidente Lula é uma onda que vem e passa. Teve a questão do tarifaço, do Bolsa Gás, mas isso é passageiro. Estamos falando de um presidente que não tem nenhuma preocupação com as regras da economia", atacou.

"Um déficit gigantesco que está fazendo com que a dívida saia do controle. O Brasil já tem a segunda maior taxa de juros real no mundo hoje. Estamos vivendo um momento muito semelhante ao momento pré-recessão 2015-16. Foi a maior recessão da história do país, que era governado pelo PT. Uma hora, a economia vai desacelerar e entrar em recessão, da forma que está caminhando. Ela cresceu e está crescendo via anabolizante. O desgaste do presidente vai vir, só não sabemos o momento", completou Zema.